| Divisão silábica |
| A fala é o primeiro e mais importante recurso usado para a divisão silábica na escrita. Regra geral:
Regras práticas:
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
Português - Ortografia - Divisão silábica
Português - Regras de acentuação
Acentuação tônica
A acentuação tônica investiga a intensidade com que pronunciamos as sílabas das palavras de nossa língua. Aquelas sobre as quais recai a maior intensidade são as sílabas tônicas; as demais são as sílabas átonas. De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da língua portuguesa são classificados em:
oxítonos – são aqueles cuja sílaba tônica é a última:
coração procurar pior ruim sabiá também
paroxítonos – são aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima:
álbum estrada desse posso retrato sabia
proparoxítonos – são aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúltima:
amássemos Antártida friíssimo lágrima úmido xícara
Observação:
Para os monossílabos, a classificação é diferente: existem os monossílabos tônicos – pronunciados intensamente – e os monossílabos átonos – pronunciados fracamente. Quando isolado todo monossílabo se torna tônico. Por isso, para diferenciar os tônicos dos átonos e vice-versa, é necessário pronunciá-los numa seqüência de palavras. Observe os monossílabos tônicos destacados:
“Sei que não vai dar em nada,
Seus segredos sei de cor.”
Agora, nos mesmos versos, destacamos os monossílabos átonos:
“Sei que não vai dar em nada,
Seus segredos sei de cor.”
Acentuação gráfica
Os acentos
Em português, os acentos gráficos empregados são:
acento agudo (´) – colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e da seqüência –em, indica que essas letras representam as vogais das sílabas tônicas: Amapá, saída, fúnebre, porém; sobre as letras e e o, indica que representam as vogais tônicas com timbre aberto: médico, herói.
Acento grave (`) – indica as diversas possibilidades de crase da preposição a com artigos e pronomes: à, às, àquele, àquela, àquilo, por exemplo.
Acento circunflexo (^) – indica que as letras e e o representam vogais tônicas com timbre fechado; surge sobre a letra a que representa a vogal tônica, normalmente diante de m, n, ou nh: mês, lêem, pêssego, compôs, câmara.
Trema (¨) – indica que a letra u representa semivogal nas seqüências gue, gui; que, qui: agüentar, sagüi, cinqüenta, tranqüilo.
Til (~) – indica que as letras a e o representam vogais nasais: órfã, mãozinha; corações, põe.
Também indica que a vogal é tônica em casos em que, pelas regras a acentuação gráfica é obrigatória: rã, maçã.
Regras fundamentais
Proparoxítonas
Todas as palavras proparoxítonas são graficamente acentuadas.
árvore, álibi, lâmpada, pêssego, quiséssemos, África.
Paroxítonas
São acentuadas as palavras paroxítonas que apresentam as seguintes terminações:
i (s), us vírus, bônus, júri, lápis, tênis
um, uns fórum, álbum, álbuns, médium
r caráter, mártir, revólver
x tórax, ônix, látex
n hífen, pólen, abdômen
l fácil, amável, indelével
ditongos Itália, Áustria, memória, cárie, róseo, Ásia, fáceis, férteis,
orais imóveis, fósseis, jérsei (crescentese decrescentes)
ão (s) órgão, órgãos, sótão, sótãos
ã (s) órfã, órfãs, ímã, ímãs
ps bíceps, fórceps
Oxítonas
São acentuadas as palavras oxítonas que apresentam as seguintes terminações:
a (s) maracujá, ananás
e (s) café, cafés, você
o (s) dominó, paletós, vovô, vovó
em, ens armazém, vintém, armazéns, vinténs
Essa regar aplica-se também aos seguintes casos:
a) monossílabos tônicos terminados em a,e o (seguidos ou não de s)
pá, pé, pó, pás, pés, pós, lê, vê, dê, hás, crês
b) formas verbais terminadas em a, e, o tônicos seguidas de lo, la, los, las
amá-lo, dizê-lo, repô-la, fá-lo-á, pô-lo
Regras especiais
1. Os ditongos de pronúncia aberta eu, éi, oi recebem acento agudo na vogal.
Céu, chapéu, anéis, coronéis, herói, anzóis, caracóis, Andréia
2. Coloca-se acento circunflexo na primeira vogal dos hiatos ôo e êe.
vôo, enjôo, vôos, enjôos, corôo, perdôo, abençôo, lêem, descrêem, dêem, relêem
3. Coloca-se acento nas vogais i e u que formam hiato com a vogal anterior.
sa-í-da, sa-ís-te, sa-ú-de, ba-la-ús-tre, sa-í-mos, ba-ú, ra-í-zes, ju-í-zes, Lu-ís, sa-í, pa-ís, He-lo-í-sa
a) Não se acentuam o i e o u que formam hiato quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Ra-ul, ru-im, com-tri-bu-in-te, sa-ir-des, ju-iz
b) Não se acentuam as letras i e u dos hiatos se estiverem seguidas do dígrafo nh:
ra-i-nha, vem-to-i-nha
c) Não se acentuam as letras i e u dos hiatos se vierem precedidas de vogal idêntica:
xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
No entanto, se se tratar de palavra proparoxítona haverá o acento, já que a regra de acentuação das proparoxítonas prevalece sobre a dos hiatos:
fri-ís-si-mo, se-ri-ís-si-mo
4. Coloca-se trema na letra u dos encontros gue, gui, que, qui, quando pronunciada atonamente (nesses casos, o ü é semivogal).
tranqüilo, freqüente, lingüiça, sagüi
Se a letra u de tais encontros for pronunciada tonicamente, levará acento agudo (nesses casos, o ú é vogal).
averigúe, apazigúe, argúi, argúis
Se a letra u de tais encontros não for pronunciada, evidentemente não levará acento algum (nesses casos, temos dígrafos).
quilo, quente, guerra, guerreiro, queijo
5. Os verbos ter e vir levam acento circunflexo na terceira pessoa do plural do presente do indicativo.
singular plural
ele tem eles têm
ele vem eles vêm
6. Os verbos derivados de ter e vir levam acento agudo na terceira pessoa do singular e acento circunflexo na terceira pessoa do plural do presente do indicativo.
singular plural
ele retém eles retêm
ele intervém eles intervêm
Acento diferencial
A lei 5765 de 18 de dezembro de 1971 aboliu o acento diferencial nas letras e e o, com exceção de pôde (pretérito perfeito), que continua sendo acentuado por oposição a pode (presente do indicativo). Outras palavras, no entanto, ainda conservam o acento diferencial:
Palavra com acento diferencial para diferenciar de
Côa (verbo e substantivo) coa (contração)
Pôr (verbo) por (preposição)
Pára (verbo) para (preposição)
Pêlo(s) (substantivo) pelo ( contração)
Pélo (do verbo pelar) pelo (contração)
Péla, pélas (substantivo e verbo) pela (contração)
Pólo (s) (substantivo) pólo(s) (contração de por + o)
Pólo (s) (substantivo) pólo (s) (contração de por + o)
Pêra (substantivo) pêra (preposição antiga)
Português - Estrutura de Palavras
Vogal de ligação
Vogais de ligação são infixos utilizados entre morfemas para que as palavras se tornem mais agradáveis e fáceis de serem pronunciadas.
Exemplos: árvores, gasômetro, canais.
MorfemasMorfemas são as unidades mínimas de significação, sendo elementos constituintes dos vocábulos. São os elementos que compõem a estrutura lexical e gramatical dos vocábulos. Os morfemas podem ser classificados em morfemas lexicais e morfemas gramaticais.
Morfema Gramatical
Morfema gramatical é o instrumento gramatical que representa um contexto semântico específico interno à enunciação. Possuem significação interna à estrutura gramatical. Os morfemas gramaticais são os artigos, os afixos, as preposições, as conjunções, além de indicar o gênero, o número, os tempos verbais (morfemas flexionais).
Exemplo: Observando o vocábulo casa e suas variações, pode-se identificar os morfemas gramaticais do seguinte modo: o morfema lexical do vocábulo “casa”, independente de suas variações , é cas-: cas-a, cas-arão, cas-ebre, cas-inha, simultaneamente. Enquanto o morfema lexical permanece o mesmo, os morfemas gramaticais variam de acordo com a significação específica que atribuem ao vocábulo.
Morfema Lexical
Morfema lexical é o morfema que representa a própria significação externa dos vocábulos. É a unidade que representa uma significação referente às noções gerais do mundo (designação de seres, ações, conceitos abstratos etc.). O morfema lexical no vocábulo é encontrado no seu núcleo de significação, denominado radical.
Exemplos: O verbo comer apresenta o morfema lexical (com-): com-er, com-ida, com-ilança, com-ilão. Todas as derivações do vocábulo, portanto, recorrem a um mesmo morfema lexical, e diz-se então que o radical da palavra comer é sua parte invariável (com-).
Há que só possuem o como elemento. Exemplos desse aspecto são os vocábulos mar, lápis, giz, Lua, Sol, luz, pé
Morfemas são as unidades mínimas de significação, sendo elementos constituintes dos vocábulos. São os elementos que compõem a estrutura lexical e gramatical dos vocábulos. Os morfemas podem ser classificados em morfemas lexicais e morfemas gramaticais.
Morfema Gramatical
Morfema gramatical é o instrumento gramatical que representa um contexto semântico específico interno à enunciação. Possuem significação interna à estrutura gramatical. Os morfemas gramaticais são os artigos, os afixos, as preposições, as conjunções, além de indicar o gênero, o número, os tempos verbais (morfemas flexionais).
Exemplo: Observando o vocábulo casa e suas variações, pode-se identificar os morfemas gramaticais do seguinte modo: o morfema lexical do vocábulo “casa”, independente de suas variações , é cas-: cas-a, cas-arão, cas-ebre, cas-inha, simultaneamente. Enquanto o morfema lexical permanece o mesmo, os morfemas gramaticais variam de acordo com a significação específica que atribuem ao vocábulo.
Morfema Lexical
Morfema lexical é o morfema que representa a própria significação externa dos vocábulos. É a unidade que representa uma significação referente às noções gerais do mundo (designação de seres, ações, conceitos abstratos etc.). O morfema lexical no vocábulo é encontrado no seu núcleo de significação, denominado radical.
Exemplos: O verbo comer apresenta o morfema lexical (com-): com-er, com-ida, com-ilança, com-ilão. Todas as derivações do vocábulo, portanto, recorrem a um mesmo morfema lexical, e diz-se então que o radical da palavra comer é sua parte invariável (com-).
Há que só possuem o como elemento. Exemplos desse aspecto são os vocábulos mar, lápis, giz, Lua, Sol, luz, pé
Literatura - Arcadismo - José de Santa Rita Durão
José de Santa Rita Durão
Frei José de Santa Rita Durão (Cata Preta (Mariana), 1722 — Lisboa, 1784) foi um religioso agostiniano brasileiro[1] [2] do período colonial, orador e poeta. É também considerado um dos precursores do indigenismo no Brasil. Seu poema épico Caramuru é a primeira obra a ter como tema o habitante nativo do Brasil; foi escrita ao estilo de Luís de Camões, imitando um poeta clássico assim como faziam os outros neoclássicos (árcades).
Vida
Estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro até os dez anos, partindo no ano seguinte para a Europa, onde se tornaria padre agostiniano. Doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Coimbra, e em seguida lá ocupou uma cátedra de Teologia.
Durante o governo de Pombal, foi perseguido e abandonou Portugal. Trabalhou em Roma como bibliotecário durante mais de 20 anos, até a queda de seu grande inimigo, retornando então ao país luso. Esteve ainda na Espanha e na França. Voltando a Portugal com a "viradeira" (queda de Pombal e restauração da cultura passadista), a sua principal atividade será a redação de Caramuru, publicado em 1781. Morre em Portugal em 24 de janeiro de 1784.
Ao Brasil não voltaria mais, e sua epopéia é uma forma de demonstrar que ainda tinha lembranças de sua terra natal.
[editar] Obra
Quase a única obra restante escrito por Durão é seu poema épico de dez cantos, Caramuru, o qual é extremamente preso ao modelo de Camões. Formado por oitavas rimadas e incluindo informação erudita sobre a flora e a fauna brasileiras e os Índios do país. Caramuru é um tributo à sua terra natal. Segundo a tradição, a reação da crítica e do público ao seu poema foi tão fria que Santa Rita Durão destruiu o restante de sua obra poética.
Lista de obras
- Pro anmia studiorum instauratione oratio (1778)
- Caramuru (1781)
Literatura - Arcadismo - Basílio da Gama
Basílio da Gama
José Basílio da Gama (São João del Rei, 8 de abril de 1740 — Lisboa, 31 de julho de 1795) foi um poeta luso-brasileiro do Brasil Colônia, filho de pai português e mãe brasileira.
Ficou órfão e foi para o Rio de Janeiro. Entrou em 1757 para a Companhia de Jesus. Dois anos depois, a ordem foi expulsa do Brasil e o poeta foi para Portugal e depois para Roma, onde foi admitido na Arcádia Romana. De volta a Lisboa, por suspeita de jansenismo, foi condenando ao degredo em Angola; salvou-o um epitalâmio que dedicou à filha do marquês de Pombal, que o indultou e protegeu.
Em 1769, publica o poema épico O Uraguai, que tem por assunto a guerra movida por Portugal aos índios das missões do Rio Grande do Sul (Sete Povos das Missões). Mais tarde foi nomeado oficial da Secretaria do Reino. Patrono da Academia Brasileira de Letras.
Obras
- O Uraguai (1769)
Literatura - Arcadismo - Tomás Antônio Gonzaga
Biografia
Nascido em Miragaia, freguesia da cidade portuguesa do Porto, em prédio hoje devidamente assinalado. Era filho de mãe portuguesa e pai brasileiro. Órfão de mãe no primeiro ano de vida, mudou-se com o pai, magistrado brasileiro para Pernambuco em 1751 depois para a Bahia, onde estudou no Colégio dos Jesuítas. Em 1761, voltou a Portugal para cursar Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se bacharel em Leis em 1768. Com intenção de lecionar naquela universidade, escreveu a tese Tratado de Direito Natural, no qual enfocava o tema sob o ponto de vista tomista, mas depois trocou as pretensões ao magistério superior pela magistratura.Exerceu o cargo de juiz de fora na cidade de Beja, em Portugal. Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado Ouvidor dos Defuntos e Ausentes da comarca de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, então capital da capitania de Minas Gerais. Um ano depois conheceu a adolescente de apenas quinze anos Maria Dorotéia Joaquina de Seixas Brandão, a pastora Marília em uma das possíveis interpretações de seus poemas, que teria sido imortalizada em sua obra lírica (Marília de Dirceu) - apesar de ser muito discutível essa versão, tendo em vista as regras retórico-poéticas que prevaleciam no século XVIII, época em que o poema fora escrito.
Durante sua permanência em Minas Gerais, escreve Cartas Chilenas, poema satírico em forma de epístolas, uma violenta crítica ao governo colonial. Promovido a desembargador da relação da Bahia em 1786, resolve pedir em casamento Maria Dorotéia dois anos depois. O casamento é marcado para o final do mês de maio de 1789. Como era pobre e bem mais velho que ela, sofreu oposição da família da noiva.
Apesar do pequeno papel na Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira (primeira grande revolta pró-independência do Brasil), é acusado de conspiração e preso em 1789, cumprindo sua pena de três anos na Fortaleza da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, tendo seus bens confiscados. Foi, portanto, separado de sua amada, Maria Dorotéia. Sua implicância na Inconfidência Mineira parece ter sido fruto de calúnias arquitetadas por seus adversários. Permanece em reclusão por três anos, durante os quais, teria escrito a maior parte das liras atribuídas a ele, pois não há registros de assinatura em qualquer uma de suas poesias. Em 1792, sua pena é comutada em desterro e o poeta é enviado a costa oriental da África, a fim de cumprir, em Moçambique, a sentença de dez anos de degredo.
No mesmo ano é lançada em Lisboa a primeira parte de Marília de Dirceu, com 33 liras (nota-se que não houve participação, portanto, do poeta na edição desse conjunto de liras, e até hoje não se sabe quem teria feito). No país africano trabalha como advogado e hospeda-se em casa de abastado comerciante de escravos, vindo a se casar em 1793 com a filha dele, Juliana de Sousa Mascarenhas ("pessoa de muitos dotes e poucas letras"),com quem teve dois filhos: Ana Mascarenhas Gonzaga e Alexandre Mascarenhas Gonzaga, vivendo depois disso, durante quinze anos, rico e considerado, até morrer em 1810, acometido por uma grave doença. Em 1799, é publicada a segunda parte de Marília de Dirceu, com mais 65 liras. No desterro, ocupou os cargos de procurador da Coroa e Fazenda, e o de juiz de Alfândega de Moçambique (cargo que exercia quando morreu). Gonzaga foi muito admirado por poetas Romantismo/românticos como Casimiro de Abreu e Castro Alves. É patrono da cadeira de número 37 da Academia Brasileira de Letras.
Suas principais obras são: Tratado de Direito Natural; Marília de Dirceu (coleção de poesias líricas, publicadas em três partes, em 1792, 1799 e 1812 - hoje sabe-se que a terceira parte não foi escrita pelo poeta); Cartas Chilenas (impressas em conjunto em 1863).
Características literárias
Tula A poesia de Tomás Antonio Gonzaga apresenta as típicas características árcades e neoclássicas: o pastoril, o bucólico, a Natureza amena, o equilíbrio, etc. Paralelamente, possui características pré-românticas (principalmente na segunda parte de Marília de Dirceu, escrita na prisão): confissões de sentimento pessoal, ênfase emotiva estranha aos padrões do neoclassicismo, descrição de paisagens brasileiras, etc.
O convívio com o Iluminismo põe em seu estilo a preocupação em atenuar as tensões e racionalizar os conflitos.
Tomás Antonio Gonzaga escreveu versos marcados por expressão própria, pela harmonização dos elementos racionais e afetivos e por um leve toque de sensualidade. Segundo Alfredo Bosi, Gonzaga está acima de tudo preocupado em "achar a versão literária mais justa dos seus cuidados". Assim, "a figura de Marília, os amores ainda não realizados e a mágoa da separação entram apenas como 'ocasiões' no cancioneiro de Dirceu", o que diferencia o autor dos seus futuros colegas românticos.
Marília de Dirceu
As liras a sua pastora idealizada refletem a trajetória do poeta, na qual a prisão atua como um divisor de águas(a segunda parte do livro é contada dentro da prisão). Antes do encarceramento, num tom de fidelidade, canta a ventura da iniciação amorosa, a satisfação do amante, que, valorizando o momento presente, busca a simplicidade do refúgio na natureza amena, que ora é européia e ora mineira. Depois da reclusão, num tom trágico de desalento, canta o infortúnio, a injustiça (ele se considera inocente, portanto, injustiçado), o destino e a eterna consolação no amor da figura de Marília. São compostas em redondilha menor ou decassílabos quebrados. Expressam a simplicidade e gracioso lirismo íntimo, decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos sentimentos e da escolha lingüística. Ao delegar posição poética a um campesino, sob cuja pele se esconde um elemento civilizado, Gonzaga demonstra mais uma vez suas diferenças com a filosofia romântica, pois segue o descrito nas regras para a confecção de éclogas nos manuais de poética da época, que instruem aos poetas que buscam a superação dos antigos, imitando-os, a utilizações de eu-líricos que se aproximem as figuras de pastores, caçadores, hortelãos e vaqueiros.
Marília é ora morena, ora loira. O que comprova não ser a pastora, Maria Dorotéia na vida real, mas uma figura simbólica que servia à poesia de Tomás Antonio Gonzaga. É anacronismo destinar ao sentimento existente entre o poeta e Maria Dorotéia a motivação para a confecção dos poemas, tendo em vista que esse pensamento só surgiu com o pensamento Romântico, no século XIX. É mais cabível a teoria de inspiração no ideal de emulação, que configurava o sentimento poético da época, baseado nas filosofias retórico-poéticas vigentes, em que o poeta, seguinto inúmeras regras de confecção, "imitava" os poetas antigos procurando superá-los. Muitos pouco conhecedores de literatura podem acreditar que o poeta cai em contradições, ora assumindo a postura de pastor que cuida de ovelhas e vive numa choça no alto do monte, ora a do burguês Dr. Tomás Antonio Gonzaga, juiz que lê altos volumes instalados em espaçosa mesa, mas o fazem por analisar os poemas com critérios anacrônicos à época, analisam com pensamentos surgidos após o Romantismo, textos que o precedem.
É interessante atentar para alguns aspectos dessa obra de Gonzaga. Cada lira é um dialogo de Dirceu com sua pastora Marília, mas, embora a obra tenha a estrutura de um diálogo, só Dirceu fala (trata-se de um monólogo), chamando Marília em geral com vocativos. Como bem lembra o crítico Antonio Candido, o melhor título para a obra seria Dirceu de Marília, mas o patriarcalismo de Gonzaga nunca lhe permitiria pôr-se como a coisa possuída.
Academia Brasileira de Letras
Considerando-o brasileiro, rendeu-lhe o Sodalício Brasileiro a homenagem de ser Patrono da Cadeira 37 da Academia, onde veio depois a ter assento talentos como João Cabral de Melo Neto.
Representações na cultura
Tomás Antônio Gonzaga já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri na telenovela Dez Vidas (1969), Luiz Linhares no filme Os Inconfidentes (1972) e Eduardo Galvão no filme Tiradentes (1999).
| Precedido por ' | ABL - cadeira 37 Patrono | Sucedido por Silva Ramos - Fundador |
Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:
-
- "A Silva Ramos, que lembrara Gonçalves Crespo, nascido no Brasil, não o permitiram, por «português», aceitando, entretanto, Gonzaga, que nascera em Portugal..."
Literatura - Arcadismo - Cláudio Manuel da Costa
Cláudio Manuel da Costa (Vargem do Itacolomi, hoje Mariana, 5 de junho de 1729 — Vila Rica, 4 de julho de 1789) foi um jurista e poeta luso-brasileiro da época colonial [1].
Filho de João Gonçalves da Costa, português, e Teresa Ribeira de Alvarenga, mineira, nasceu no sítio da Vargem do Itacolomi, freguesia da vila do Ribeirão do Carmo, atual cidade de Mariana em Minas Gerais.
Tornou-se conhecido principalmente pela sua obra poética e pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Contudo, foi também advogado de prestígio, fazendeiro abastado, cidadão ilustre, pensador de mente aberta e mecenas do Aleijadinho. Estudou cânones em Coimbra e há quem acredite que ele tenha traduzido a obra de Adam Smith para o português, mas isso nunca foi muito bem fundamentado.
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Vida
Com vinte anos embarcou para Portugal, com destino a Coimbra, em cuja Universidade se formou em cânones. Entre 1753 e 54 recolheu ao Brasil, dando-se à advocacia em Vila Rica (hoje Ouro Preto), jurista culto e renomado da época, ali exerceu o cargo de procurador da Coroa, desembargador, também exerceu por duas vezes o importante cargo de secretário do Governo. Por incumbência da Câmara de Ouro Preto elaborou "carta topográfica de Vila Rica e seu têrmo" em 1758.
Por sua idade, boa lição clássica, fama de douto e crédito de autor publicado, exerceu Cláudio da Costa ali uma espécie de magistério entre os seus confrades em musa, maiores e menores, que todos lhe liam as suas obras e lhe escutavam os conselhos, era uma das figuras principais da Capitania.
Aos sessenta anos foi comprometido na chamada Conjuração Mineira. Preso e, para alguns, apavorado com as conseqüências da tremenda acusação de réu de inconfidência, morreu em circunstâncias obscuras, em Vila Rica, no dia 4 de julho de 1789, quando teria se suicidado na prisão.
Os registros da trajetória da vida de Cláudio revelam uma bem sucedida carreira no campo político, literário e profissional. Foi secretário de vários governadores, poeta admirado até em Portugal e advogado dos principais negociantes da capitania no seu tempo. Acumulou ampla fortuna e sua casa em Vila Rica, era uma das melhores vivendas da capital. Sólida e suntuosa construção que ainda lá está a desafiar o tempo.
A memória de Cláudio Manuel da Costa, porém, não teve a mesma sorte. Até hoje paira sobre ele a suspeita de ter sido um miserável covarde que traiu os amigos e se suicidou na prisão. Outros negam até a própria relevância da sua participação na inconfidência mineira, pintando-o como um simples expectador privilegiado, amigo de Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, freqüentadores assíduos dos saraus que ele promovia.
Cláudio tentou, ele próprio, diminuir a relevância da sua participação na conspiração, mas estava apenas tentando reduzir o peso da sua culpa diante dos juizes da devassa. Os clássicos da historiografia da inconfidência mineira são unânimes em valorizar sua participação no movimento. Parece que ele era meio descrente com as chances militares da conspiração. Mas não deixou de influenciar no lado mais intelectualizado do movimento, especialmente no que diz respeito à construção do edifico jurídico projetado para a república que pretendiam implantar em Minas Gerais, no final do século XVIII.
De qualquer modo José Pedro Machado Coelho Torres, juiz nomeado para a Devassa de 1789 em Minas Gerais, dele diz o seguinte: "O dr. Cláudio Manoel da Costa era o sujeito em casa de quem se tratou de algumas cousas repeitantes à sublevação, uma das quais foi a respeito da bandeira e algumas determinações do modo de se reger a República: o sócio vigário da vila de S. José é quem declara nas perguntas formalmente"...(Anais da Biblioteca Nacional, 1º vol. pg. 384).
Morte
Assassinato ou suicídio
O ponto mais crítico da biografia do poeta inconfidente vem a ser a suspeita do seu suicídio. Sua morte está cercada de detalhes estranhos. Há mais de duzentos anos que o assunto suscita debates e há argumentos de peso tanto a favor como contra a tese do suicídio. Os partidários da crença de que Cláudio Manuel da Costa tenha se suicidado se baseiam no fato de que ele estava profundamente deprimido na véspera da sua morte.
Isso está estampado no seu próprio depoimento, registrado na Devassa. Além disso, seu padre confessor teria confirmando seu estado depressivo a um frade que trouxe o registro à luz. Os partidários da tese de que Cláudio tenha sido assassinado, contestam tanto a autenticidade do depoimento apensado aos autos da Devassa, quanto a honestidade do registro do frade.
Quem acredita na tese do assassinato se baseia em um argumento principal: o próprio laudo pericial que concluiu pelo suicídio. Pelo laudo, o indigitado poeta teria se enforcado usando os cadarços do calção, amarrados numa prateleira, contra a qual ele teria apertado o laço, forçando com um braço e um joelho. Muitos acreditam ser impossível alguém conseguir se enforcar em tais circunstâncias.
O historiador Ivo Porto de Menezes relata que ao organizar antigos documentos relativos à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, em 1957 ou 1958, encontrou no livro de assentos dos integrantes da Irmandade de São Miguel e Almas, a anotação da admissão de Cláudio Manuel e à margem a observação de que havia "sufragado com 30 missas" a alma do falecido, e "pago tudo pela fazenda real". De igual forma procedera a Irmandade de Santo Antônio, que lançou em seu livro: "falecido em julho de 1789. E feitos os sufrágios." Relembra que havia à época proibição de missas pelos suicidas.
Também Jarbas Sertório de Carvalho, em ensaio publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, defende com boa documentação a tese do assassinato.
Há ainda quem acredite que o próprio governador, Visconde de Barbacena, esteve envolvido na conspiração e Cláudio teria sido eliminado por estar disposto a revelar isso. Mas o fato é que somente a tese do suicídio pôde se lastrear em documentos, ainda que duvidosos quanto a sua honestidade e veracidade, como bem salientam os adeptos da tese de assassinato.
Conclusão
Assim, a própria História continua pendente quanto às verdadeiras circunstâncias da morte de Cláudio Manuel da Costa e isso continua a ser o ponto mais marcante da sua biografia, não obstante estar sua vida plena de passagens notáveis.
Dez dias depois da sua morte, a população de Paris tomava a fortaleza da Bastilha, marcando o início do fim da dinastia dos gloriosos Luíses de França. Começava a tomar corpo então, um projeto político, sonhado pelo próprio Cláudio Manuel da Costa para seu país. Demoraria, no entanto, mais trinta anos para que o Brasil se tornasse liberto de Portugal. Cem anos a mais seriam necessários para a realização da segunda parte do sonho, a implantação do regime republicano no Brasil.
É Patrono da Academia Brasileira de Letras. Glauceste Saturnino (ou Glauceste Satúrnio), pseudônimo do autor, faz parte da transição do Barroco para o Arcadismo. Seus sonetos herdaram a tradição de Camões.
Representações na cultura
Cláudio Manuel da Costa já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Emiliano Queiroz no filme "Tiradentes" (1999), Fernando Torres no filme "Os Inconfidentes" (1972) e na novela "Dez Vidas" (1969) e Carlos Vereza no filme "Aleijadinho - Paixão, Glória e Suplício" (2003).
Obras:
- Epicediu, consagrado à memória de fr. Gaspar da Encarnação - Coimbra, 1753.
- Labirinto de amor, poema - Coimbra, 1753.
- Númerosos harmônicos - Coimbra, 1753.
- Obras Poéticas - Coimbra, 1768
- Vila Rica, 1773
- Soneto
- Entre o Velho e o Novo Mundo
- Poesias diversas - Revista Brazileira, Rio de Janeiro, 1895 (post.).
- Minusculo métrico, romance heróico - Coimbra 1751.
Nota
- ↑ No Brasil como em Portugal era comum atribuir o gentílico "brasileiro" a uma pessoa nascida na colônia, embora hoje isto possa ser visto como um anacronismo. Durante a época colonial o Brasil era um território português, por esse motivo, os ali nascidos eram súditos e vassalos do rei de Portugal. Somente durante a primeira centúria da época colonial (XVI) o vocábulo “brasileiro” era o nome que se dava aos comerciantes de pau-brasil, sendo por isso, naquela época apenas, o nome de uma profissão. No entanto, desde muito antes da independência do Brasil, em 1822, em virtude do sentimento nativista disseminado o termo “brasileiro” já era utilizado de modo generalizado como adjetivo pátrio dos naturais do Brasil. Do ponto de vista estritamente legal apenas, só é de nacionalidade brasileira (brasileiro) quem ali nasceu depois da independência do Brasil. Mas, em geral, chamar uma pessoa que nasceu no Brasil antes da independência de brasileiro não quer significar que ela era comerciante de pau-brasil e sim que era natural do "Estado do Brasil".