segunda-feira, 28 de abril de 2008

CPT - Intertextualidade

Intertextualidade

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Grosso modo, pode-se definir a intertextualidade como sendo um "diálogo" entre textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica na identificação e no reconhecimento de remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos textos/ contextos em que ela é inserida.

Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao "conhecimento de mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.

O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento,não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.

Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final do século XVI, o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e escuro, a sensualidade do ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do quadro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de intertextualidade na pintura.

Na publicidade, por exemplo, em um dos anúncios do Bom Bril, o ator se veste e se posiciona como se fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e cujo slogan era " Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-prima". Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa bem macia e mais perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci. Nesse caso pode-se dizer que a intertextualidade assume a função de não persuadir o leitor como também de difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc).

Para ampliar essa discussão, vale trazer um exemplo de intertextualidade na literatura. Às vezes, a superposição de um texto sobre outro pode provocar uma certa atualização ou modernização do primeiro texto. Nota-se isso no livro Mensagem, de Fernando Pessoa, que retoma, por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio do Gigante Adamastor de Os Lusíadas de Camões. Ocorre como que um diálogo entre os dois textos. Em alguns casos, aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poemaMadrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro Ritmo Dissoluto, que seguramente serviu de inspiração e assim se refletiu no seguinte poema:

ASSIM COMO BANDEIRA

O que amo em ti
não são esses olhos doces
delicados
nem esse riso de anjo adolescente.

O que amo em ti
não é essa pele acetinada
sempre pronta para a carícia renovada
nem esse seio róseo e atrevido
a desenhar-se sob o tecido.

O que amo em ti
não é essa pressa louca
de viver cada vão momento
nem a falta de memória para a dor.

O que amo em ti
não é apenas essa voz leve
que me envolve e me consome
nem o que deseja todo homem
flor definida e definitiva
a abrir-se como boca ou ferida
nem mesmo essa juventude assim perdida.

O que amo em ti
enigmática e solidária:
É a Vida!
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia, Flâmula, 2004, p.37)


MADRIGAL MELANCÓLICO

O que eu adoro em ti
não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

(...)

O que eu adoro em tua natureza,
não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida. (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira, José Olympio, 1980, p.83)

Pode-se destacar oito tipos de intertextualidade:

Epígrafe - constitui uma escrita introdutória a outra. Citação - é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas. Paráfrase - é a reprodução do texto do outro com a palavra do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois o autor deixa claro sua intenção e a fonte. Paródia - é uma forma de apropriação que, em lugar de endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou abertamente.Ela perverte o texto anterior, visando à ironia,ou à crítica. Pastiche - uma recorrência a um gênero. Tradução - a tradução está no campo da intertextualidade porque emplica em recrição de um texto. Referência e alusão

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Intertextualidade"

Categoria: Literatura

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A intertextualidade
e o ensino de Língua Portuguesa

Renata da Silva de Barcellos
(C.E.Ten. Otavio Pinheiro)

O texto e o ensino de Língua Portuguesa

Primeiramente, faz-se necessário dizer que, neste trabalho, texto é entendido comotoda unidade de produção de linguagem situada, acabada e auto-suficiente do ponto de vista da ação ou da comunicação” (Bronckart, 1999). O texto é o elemento básico com que devemos trabalhar no processo de ensino de qualquer disciplina. É através do texto que o usuário da língua desenvolve a sua capacidade de organizar o pensamento/conhecimento e de transmitir idéias, informações, opiniões em situações comunicativas.

Pode-se dizer assim que, sobretudo, no ensino de língua portuguesa, os constantes desafios encontrados pelo professor são: compreender o texto como um produto histórico-social, relacioná-lo a outros textos lidos e/ou ouvidos e admitir a multiplicidade de leituras por ele suscitadas.

Tal entendimento do que seja texto evidencia a necessidade de trabalhar, em sala de aula, com vários gêneros textuais, usados em diferentes situações e com objetivos diversos: construir e desconstruir esses textos, ressaltando os efeitos provocados pelas alterações, criar intertextos, verificar o gênero textual e modificá-lo etc. Portanto, para realizar esse tipo de trabalho com a língua portuguesa, o professor precisa ter consciência da diferença entre saber usar uma língua, adequando-a convenientemente a contextos e saber analisá-la, tendo conhecimento de conceitos sobre sua estrutura e funcionamento e a nomenclatura gramatical pertinente.

Atualmente, a escola enfatiza o trabalho da leitura e da produção de textos, tentando equilibrá-lo com a análise das estruturas da língua e com seu uso. Dessa forma, através da interação com vários gêneros textuais e o intertexto presente neles, o professor pode investigar a experiência anterior do aluno enquanto leitor de palavras e de mundo e seguir pistas deixadas pelo autor no texto para considerar também o implícito, inferindo, assim as intenções do autor.

Então, o aluno, por sua vez, desempenha ora o papel de leitor, ora o papel de produtor de textos, ou seja, aquele que pode ser entendido pelos textos que produz e que o constituem como ser humano.

A intertextualidade

O processo ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa deve basear-se assim em propostas interativas a fim de promover o desenvolvimento do indivíduo numa dimensão integral. Portanto, nessa perspectiva, o trabalho do professor é, dentre outros, desenvolver no aluno a capacidade de identificar um intertexto. . A intertextualidade é “um fenômeno constitutivo da produção do sentido e pode-se dar entre textos expressos por diferentes linguagens” (Silva, 2002). O professor deve, então, investir na idéia de que todo texto é o resultado de outros textos. Isso significa dizer que não sãopuros”, pois a palavra é dialógica. Quando se diz algo num texto, é dito em resposta a outro algo que foi dito em outros textos. Dessa forma, um texto é sempre oriundo de outros textos orais ou escritos. Por isso, é imprescindível que o professor leve o aluno a perceber isso.

Assim, a utilização da intertextualidade deve servir para o professor não conscientizar os alunos quanto à existência desse recurso como também utilizar um modo mais criativo de verificar a capacidade dos alunos de relacionarem textos.

A intertextualidade ocorre em diversas áreas do conhecimento. Eis abaixo algumas delas:

A literatura: por exemplo, entre Casimiro de Abreu “Meus oito anos” e Oswald de Andrade “Meus oito anos”. Aquele foi escrito no século XIX e este foi escrito no século XX. Portanto, o 2 texto cita o 1, estabelecendo com ele uma relação intertextual.

Meus oito anos Oh! Que saudade que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Que amor, que sonhos, que flores Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras Debaixo dos laranjas! Casimiro de Abreu

Meus oito anos Oh! Que saudade que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra Da rua São Antônio Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais! Oswald Andrade

A pintura: o quadro do pintor barroco italiano Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final do século XVI, o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase quatrocentos anos depois do quadro. Na foto, ela recria o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e o escuro, a sensualidade do ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do quadro de Caravaggio. Aquela, explícita e intencionalmente, cita este ao manter quase todos os elementos do quadro original.

O jornalismo: - a publicidade - um dos anúncios do Bom Bril em que o ator se veste e se posiciona como se fosse a Mona Lisa de Da Vinci e cujo enunciado-slogan é “Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-primaEsse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa bem macia e perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci).

Quanto à intertextualidade na publicidade, pode-se dizer que ela assume a função não de persuadir o leitor como também de difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc). Assim, quando há a utilização deste recurso, boa parte do efeito de uma propaganda ou do título de uma reportagem é proveniente da referência feita a textos pré-existentes. Esses textos ora são retomados de forma direta, ora de forma indireta, levando o destinatário a reconhecer no enunciado o texto citado. (Portanto, segundo Almeida, pode tratar-se da citação tanto de um enunciado cuja autoria é reconhecida (Os documentos são “imexíveis) usando o neologismo criado pelo ministro do trabalho Magri “imexível”); quanto de um enunciado anônimo pertencente ao patrimônio social (um político) diz: “Se Lincoln fosse vivo, ele estaria rolando no túmulo”, fazendo alusão a este enunciadoFulano deve estar rolando no túmulocujo valor é de descontentamento.

Intertextualidade
uma proposta de classificação

Apresentaremos a seguir uma proposta de classificação de intertextos com base no corpus selecionado a fim de trabalhá-lo em sala de aula de Português e de Literatura.

Clichê: é o enunciado que se transformou em uma unidade lingüística estereotipada por ser muito proferido pelas pessoas. Num jornal sobre esportes foi criada uma charge com o enunciado: “Por trás de todo grande timeum grande treinador”. Tal enunciado remete a outro pertencente ao patrimônio socialPor trás de todo grande homem há uma grande mulher”. O enunciado do jornal, na época, pretendia elogiar a conduta do treinador pelo fato do time Vasco ter ganhado o campeonato.

Outro exemplo destacado foi o da publicidade do Sesi a respeito de um concurso de empresas sobre a qualidade no trabalho. O slogan da publicidade era: “Se o trabalho dignifica o homem, o trabalho em equipe o torna um vencedor”. Observa-se que a partir de um clichê “O trabalho dignifica o homem”, utilizado numa estrutura com valor condicional “Se o trabalho...”, ressalta-se em seguida a importância do trabalho em equipe “...o trabalho em equipe o torna um vencedor”.

Proverbial: é um enunciado popular que expressa de forma sucinta uma mensagem. O título de uma reportagem sobre funcionários e ações trabalhistas: “Depois do suor, o desamparo que remete ao provérbioDepois da tempestade vem a bonança”. Sendo que ao contrário desse (depois dos fatos negativos vem o positivo), o título da reportagem sugere que depois de todo esforçosuor”, os funcionários não obtiveram o que almejavam: o reconhecimento. Foram vítimas do desemprego “desamparo”.

Palavrão: é o enunciado que apresenta uma palavra grosseira ou obscena. O jornalista Agamenon, responsável por uma matéria do Segundo Caderno do jornal O Dia, cuja característica é o humor, nomeou uma de suas matérias de Cuba se Fidel. No mesmo, observa-se a alusão ao palavrão “se foder” e um jogo entre este e o nome do presidente de Cuba, Fidel Castro, por causa da semelhança fonética “Fidel e fodeu”.

Bíblico: quando o enunciado menciona uma passagem da Bíblia. O título de uma reportagem sobre o turismo na Ilha GrandeA move turistas nas trilhas da Ilha Grande se referindo à passagem bíblica que diz: “A move montanha”.

Literário: quando o enunciado se refere a verso(s), a passagem (ns) ou a título (s) de obra.

- Exemplo de título de obra: A publicidade da marca Ceramidas usa como slogan o seguinte enunciado: “Dona flor e seus dois produtos, que, por sua vez, se reporta a uma das obras de Jorge Amado intitulada Dona flor e seus dois maridos. Observa-se assim que na publicidade Dona Flor é representada pela marca Ceramidas e os dois produtos pelo xampu e pelo condicionador.

Uma matéria da revista Isto é intitulada: “E o vento levousobre produtos de cabelo é o título de uma obra de Margaret Mitchell. Essa matéria mostra como os produtos mencionados deixam os cabelos leves e soltos.

- Exemplo de verso: O título de uma reportagem: Infinito, mas enquanto durou” se referindo ao verso de Vinícius de Moraesque seja infinito enquanto dure” que, por sua vez, faz alusão ao pensamento de Sofocleto: “O amor é eterno enquanto dura”.

Musical: quando a letra de uma música se reporta a outra letra existente. Num trecho do rap Sem saúde de Gabriel O Pensador, o compositor diz: “... me cansei de lero-lero / dá licença mas eu vou sair do sério...” mencionando uma das músicas de Rita Lee.

Considerações Finais

O objeto de estudo deste trabalho, a intertextualidade, serviu para ilustrar a importância do conhecimento de mundo e como esse fator interfere no nível de compreensão do texto. Pois, embora o aluno-leitor não identifique o intertexto, vai entendê-lo. Mas ao relacionar um texto com outro, compreenderá o texto lido na sua profundidade e por conseqüência será capaz de refletir sobre o recurso adotado pelo autor para quando for compor textos. Dessa forma, na aula de Português, por exemplo, o aluno compreenderá que a intertextualidade é um das estratégias utilizadas para a construção de um texto. No caso específico da publicidade, quando utiliza a intertextualidade é uma forma diferente de persuasão cuja intenção é de levar o leitor a consumir um produto e de também difundir a cultura.

Enfim, a intertextualidade deve fazer parte do planejamento do professor de Português e de Literatura. Pois, afinal, é a cultura do país e do mundo que estão em movimento. Cabe a ele, então, levar o leitor a reconhecer intertextos e a redigir utilizando também esse recurso.

ATIVIDADADE

20. “No meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fadigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do cainho tinha uma pedra.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia Poética.

Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Ed, 1983.

Proposta de Produção de Texto

1- A partir do poema de Carlos Drummond Andrade, construa uma paródia partindo do caos que se encontra a mentalidade brasileira com o foco no sensacionalismo, imposto pela mídia, diante do fato decorrente pela morte da menina Isabella, que foi morta pelo pai e a madrasta. Não se esqueça que a paródia tende a ser critica.

2-Em seguida produza um pastiche em cima do mesmo poema com o tema livre.

3- Depois faça uma analise crítica de suas produções destacando as semelhanças e/ou diferenças entre elas. Para tanto, se paute no conteúdo exposto pelo professor em sala.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Português - Verbo

Gramática IV
Verbo

Veja os exemplos:

As crianças brincam no quarto.

Ele estuda espanhol.

Nós marcamos o nosso exame.

As palavras em destaque nas frases acima são verbos. Verbo é a palavra que indica ação, estado ou fenômeno da natureza situados no tempo – alguma coisa que acontece ou é, que aconteceu ou foi, que acontecerá ou será.

Flexões do verbo

a) Pessoa

O verbo apresenta três pessoas do discurso:

» Primeira pessoa: a que fala, o emissor. (eu e nós)

Eu estudo espanhol.

Nós estudamos espanhol.

» Segunda pessoa: com quem se fala ou a quem se destina a mensagem, o receptor. (tu e vós)

Tu estudas espanhol.

Vós estudais espanhol.

» Terceira pessoa: de quem ou do que se fala. (ele, ela, eles, elas).

Ele estuda espanhol.

Elas estudam espanhol.

O espanhol é uma língua muito falada em todo o mundo.

b) Número

O verbo flexiona-se em número, podendo estar no singular ou no plural, concordando com o sujeito da oração:

A menina canta demais.

As meninas cantam demais.

c) Modo

O modo indica a circunstancia em que o fato pode acontecer.

Veja, por exemplo, as diferentes atitudes em:

Eu amo

Eu amei

São três os modos verbais:

Modo indicativo: exprime um fato certo, o fato é ou foi uma realidade.

Comprei um carro.

Modo subjuntivo: exprime um fato incerto, duvidoso.

Talvez eu compre um carro.

Modo imperativo: exprime uma ordem ou um pedido.

Compre um carro.

Os verbos apresentam ainda as formas nominais: infinitivo (pessoal e impessoal), gerúndio e particípio.

d) Tempo

A flexão de tempo indica o momento em que o fato expresso pelo verbo ocorreu, ocorre ou ocorrerá. Desta forma, caracterizamos os três tempos verbais básicos: o presente, o pretérito (passado), e o futuro, como nos seguintes exemplos:

Penso em ti.

Pensei em ti.

Pensarei em ti.

Tempos do modo indicativo

O presente indica a ocorrência do fato no momento em que se fala:

Penso em ti.

O pretérito indica a ocorrência do fato antes do momento em que se fala, ou seja, passado.

Pensei em ti.

O pretérito pode ser perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito.

» pretérito perfeito: expressa um fato já concluído totalmente no passado.

Perdi minhas chaves ontem.

» pretérito imperfeito: expressa um fato passado, porém ainda não concluído.

Fazíamos boas comidas em casa.

» pretérito mais-que-perfeito: expressa um fato anterior a outro fato que também é passado.

A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.

O tempo do modo indicativo futuro indica o ocorrência futura de um fato (que ainda não aconteceu no momento em que se fala).

Amanhã irei ao cinema.

O modo futuro pode ser: futuro do presente e futuro do pretérito.

» futuro do presente: expressa um fato que deve realizar-se num tempo próximo em relação ao momento presente.

Ele comprará um carro.

» futuro do pretérito: indica o fato que ainda irá acontecer, relacionado com um fato passado.

Compraria um carro, se tivesse dinheiro.

Tempos do modo subjuntivo

O presente indica uma ocorrência que talvez se realize.

Deus te abençoe.

O pretérito imperfeito indica uma hipótese, uma condição.

Se eu estudasse, a história seria outra.

O tempo do modo subjuntivo futuro expressa um fato que vai acontecer relacionado a outro fato futuro.

Quando eu voltar, saberei o que fazer.

e) Voz

As vozes verbais indicam a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo. Podemos ter três situações:

» voz ativa: o sujeito pratica a ação expressa pelo verbo.

A menina comprou um sorvete.

» voz passiva: o sujeito recebe a ação expressa pelo verbo.

A menina ganhou um sorvete.

A voz passiva pode ser praticada de duas formas:

Voz passiva analítica: forma-se com os verbos ser, estar e ficar seguidos de particípio.

O homem é corrompido pela sociedade.

Voz passiva sintética: forma-se com verbo acompanhado do pronome se (chamado apassivador).

Doa-se roupas.

» voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo, ao mesmo tempo.

Nós nos ofendemos muito.

Formas nominais do verbo

São três as formas nominais do verbo: infinitivo, gerúndio e particípio.

Infinitivo: desempenha função semelhante à do substantivo. Caracteriza-se pela terminação r.

Viver é lutar.

Particípio: desempenha função semelhante à do adjetivo. Caracteriza-se pelas terminações –ado(a) e –ido(a).

Mulher vivida.

Gerúndio: desempenha função semelhante à do adjetivo e do advérbio. Caracteriza-se pela terminação –ndo.

Água fervendo.

Locução verbal

Locução verbal é a combinação de verbos auxiliares (ter, haver, e estar) com verbos nas formas nominais.

Tenho escrito muitas cartas.

As conjugações

Agora que já conhecemos os tempos primitivos e seus derivados, podemos montar os modelos; no caso, de conjugação verbal do verbo partir e ser.

Modo indicativo

Presente


Pretérito perfeito


Pretérito imperfeito


Pretérito mais-que-perfeito


Futuro do presente


Futuro do pretérito


Modo subjuntivo

Presente


Pretérito imperfeito


Futuro


Modo imperativo

Afirmativo


Negativo


Formas nominais

Infinitivo impessoal


Infinitivo pessoal


Gerúndio


Particípio

segunda-feira, 14 de abril de 2008

CPT - relato pessoal

Descrição

Na descrição nãosucessão de acontecimentos no tempo, de sorte que não haverá transformações de estado da pessoa, coisa ou ambiente que está sendo descrito diferentemente da narração, mas sim a apresentação pura e simples do estado do ser descrito em um determinado momento.

A descrição se caracteriza por ser o retrato de pessoas, objetos ou cenas. Para produzir o retrato de um ser, de um objeto ou de uma cena, podemos utilizar a linguagem não-verbal, como no caso das fotos, pinturas e gravuras, ou a linguagem verbal (oral ou escrita). A utilização de uma dessas linguagens não exclui necessariamente a outra: pense, por exemplo, nas fotos ou ilustrações com legendas, em que a linguagem verbal é utilizada como complemento da linguagem não-verbal. Pense também num anúncio de animal de estimação perdido em que, ao lado da descrição verbal, também seja apresentada, como complemento àquela informação, a sua foto.

A Descrição Verbal

A descrição verbal também trabalha com imagens, representadas por palavras devidamente organizadas em frases. Essas imagens podem ou não vir associadas a informações.

Pode-se entender a descrição como um tipo de texto em que, por meio da enumeração de detalhes e da relação de informações, dados e características, vai-se construindo a imagem verbal daquilo que se pretende descrever. Observe que, no texto de Arthur Nestrovski, o autor enumera elementos constantes do trabalho de Sebastião Salgado, associando a eles informações que não estão presentes na foto.

A descrição, entretanto, não se resume a uma enumeração pura e simples. Se assim fosse, a descrição de Arthur Nestrovski faz da foto de Sebastião Salgado nada nos esclareceria além daquilo da própria foto nos diz. É essencial revelar também traços distintivos, ou seja, aquilo que distingue o objeto descrito dos demais. Observe que, ao descrever a foto, o autor nos revela características que, talvez, não tivéssemos percebido quando a olhamos pela primeira vez, além das impressões que ela lhe causou.

Uma observação

Dificilmente você encontrará um texto exclusivamente descrito (isso ocorre em catálogos, manuais e demais textos instrucionais). O mais comum é haver trechos descritivos inseridos em textos narrativos e dissertativos. Em romances, por exemplo, que são textos narrativos por excelência, você pode perceber várias passagens descritivas, tanto de personagens como de ambientes.

O Ponto de Vista

O Ponto de vista é a posição que escolhemos para melhor observar o ser ou o objeto que vamos descrever. No entanto, nas descrições, além da posição física, é fundamental a atitude, ou seja, a predisposição psicológica que temos com relação àquilo que vamos descrever. o ponto de vista (físico e psicológico) que adotarmos acabará determinando os recursos expressivos (vocabulário, figuras, tipo de frase) que utilizaremos na descrição.
O ponto de vista físico vai determinar a ordem da apresentação dos detalhes, que devem ser apresentados progressivamente. Observe o que diz Othon M. Garcia, em sua obra Comunicação em prosa moderna p. 217:

Nunca é, por exemplo, boa norma apresentar todos os detalhes acumulados em um período. Deve-se, ao contrário, oferecê-los ao leitor pouco a pouco, verificando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as.

Na descrição de uma pessoa, por exemplo, podemos, inicialmente, passar uma visão geral e depois, aproximando-se dela, a visão dos detalhes: como são seus olhos, seu nariz, sua boca, seu sorriso, o que esse sorriso revela (inquietação, ironia, desprezo, desespero...), etc.

Na descrição de objetos, é importante que, além da imagem visual, sejam transmitidas ao leitor outras referências sensoriais, como as táteis (o objeto é liso ou áspero?), as auditivas (o som que ele emite é grave ou agudo?), as olfativas (o objeto exala algum cheiro?).

A descrição de paisagens (uma planície, uma praia, por exemplo) ou de ambientes (como uma sala, um escritório) -- as cenas -- também não devem se limitar a uma visão geral. É preciso ressaltar seus detalhes, e isso não é percebido apenas pela visão. Certamente, numa paisagem ou ambiente haverá ruídos, sensações térmicas, cheiros, que deverão ser transmitidos ao leitor, evitando que a descrição se transforme numa fria e pouco expressiva fotografia. Também poderão integrar a cena pessoas, vultos, animais ou coisas, que lhe dão vida. É, portanto, fundamental destocar esses elementos.

Ato de Descrever

Existem momentos e situações em que temos que transmitir uma imagemum lugar, uma pessoa, uma obra artística, para isso utilizamos a linguagem; essa atitude é chamada de descrição.

Ao fazermos uma descrição podemos explorar a linguagem não-verbal (foto, pinturas, etc.) e a linguagem verbal (oral e escrita).
Quando redigimos um texto com essa finalidade compomos um texto descritivo.
Através do texto descritivo apresentamos ao nosso interlocutor um ambiente, um objeto, um ser a partir de nosso ponto de vista, assim, ele estará impregnado de nossa postura pessoal.

A redação de um texto descritivo

Descrever é um processo no qual se empregam os sentidos para captar uma realidade e transportá-la para o texto.
A elaboração do texto requer domínio da modalidade escrita da língua e as finalidades a que o texto se propõe.

Elementos básicos de uma descrição:

- identificar os elementos;
- situar o elemento (lugar que ele ocupa no tempo e no espaço);
- qualificar o elemento dando-lhe características e apresentando um julgamento sobre ele.

A descrição pode ser apresentada sob duas formas:

- descrição objetiva: quando o objeto, ser, ambiente são apresentados como realmente são;
- descrição subjetiva: quando o objeto, ser, ambiente são transfigurados pela emoção de quem escreve.

Características gramaticais:

- verbos de ligação;
- frases e predicados nominais;
- verbos no presente e pretérito imperfeito do indicativo (predominantemente);
- adjetivos.

O texto descritivo, geralmente, é incorporado ao narrativo ou ao argumentativo.

Veja os exemplos a seguir:

"A bolacha-da-praia,
a estrela-do-mar e o
ouriço-do-mar são parentes.
A estrela-do-mar é carnívora. Com seus "pés", ela abre as conchas e se alimenta delas. Depois, ela permanece
até dez dias em jejum.
A
bolacha e a estrela ficam semi-enterradas no fundo
do mar; o ouriço é achado
em rochas."
(Folhinha de S. Paulo, 23/01/99)

Prima Julieta
Murilo Mendes


Prima Julieta, jovem viúva, aparecia de vez em quando na casa de meus pais ou na de minhas tias. O marido, que lhe deixara uma fortuna substancial, pertencia ao ramo rico da família Monteiro de Barros. Nós éramos do ramo pobre. Prima Julieta possuía uma casa no Rio e outra em Juiz de Fora. Morava em companhia de uma filha adotiva. E fora três vezes à Europa.
Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda garoto e sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade.
Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos; voz de pessoa da alta sociedade. Uma vez descobri admirado sua nuca, que naquele tempo chamavam de cangote, nome expressivo: pressupõe jugo e domínio. No caso somos nós, homens, a sofrer a canga. Descobri por intuição a beleza do cangote e do pescoço feminino, não querendo com isto dizer que subestimava outras regiões do universo.

MENDES, Murilo. A idade do serrote. Rio de Janeiro,
Sabiá, 1968. p. 88-9.

Carta

Inicialmente, é preciso destacar dois tipos básicos de carta. O primeiro é a correspondência oficial e comercial, que nos é enviada pelos poderes políticos ou por empresas privadas (comunicações de multas de trânsito, mudanças de endereço e telefone, propostas para renovar assinaturas de revistas, etc.). Este tipo de carta caracteriza-se por seguir modelos prontos, em que o remetente altera alguns dados. Apresentam uma linguagem padronizada (repare que elas são extremamente parecidas, começando geralmente por "Vimos por meio desta...") e normalmente são redigidas na linguagem formal culta. Nesse tipo de correspondência, mesmo que venha assinada por uma pessoa física, o emissor é uma pessoa jurídica (órgão público ou empresa privada), no caso, devidamente representada por um funcionário.

Outro tipo de correspondência é a carta pessoal, que utilizamos para estabelecer contato com amigos, parentes, namorado (a). Tais cartas, por serem mais informais que a correspondência oficial e comercial, não seguem modelos prontos, caracterizando-se pela linguagem coloquial. Nesse caso o remetente é a própria pessoa que assina a correspondência.

Embora você passa encontrar por livros que trazem "modelos" de cartas pessoais (principalmente "modelos de carta de amor"), fuja deles, pois tais "modelos" se caracterizam por uma linguagem artificial, surrada, repleta de expressões desgastadas, além de serem completamente ultrapassados.

Nãoregras fixas (nem modelos) para se escrever uma carta pessoal Afora a data, o nome (ou apelido) da pessoa a quem se destina e o nome (ou apelido) de quem a escreve, a forma de redação de uma carta pessoal é extremamente particular.
No processo de comunicação (e a correspondência é uma forma de comunicação entre pessoas), não se pode falar em linguagem correta, mas em linguagem adequada. não falamos com uma criança do mesmo modo que falamos com um adulto.

A linguagem que utilizamos quando discutimos um filme com os amigos é bastante diferente daquela a que recorremos quando vamos requerer vaga para um estágio ao diretor de uma empresa. Em síntese: a linguagem correta é a adequada ao assunto tratado (mais formal ou mais informal), à situação em que está sendo produzida, à relação entre emissor e destinatário (a linguagem que você utiliza com um amigo íntimo é bastante diferente da que utiliza com um parente distante ou mesmo com um estranho).

Na correspondência deve ocorrer exatamente a mesma coisa: a linguagem e o tratamento utilizados vão variar em função da intimidade dos correspondentes, bem como do assunto tratado. Uma carta a um parente distante comunicando um fato grave ocorrido com alguém da família apresentará uma linguagem mais formal. uma carta ao melhor amigo comunicando a aprovação no vestibular terá uma linguagem mais simples e descontraída, sem formalismos de qualquer espécie.

As Expressões Surradas

na produção de textos, devemos evitar frases feitas e expressões surradas (os chamados clichês), como "nos píncaros da glória", "silêncio sepulcral", "nos primórdios da humanidade", etc. Na carta, não é diferente. Fuja de expressões surradas que aparecerem em milhares de cartas, como "Escrevo-lhes estas mal traçadas linhas" ou "Espero que esta vá encontrá-lo gozando de saúde" (originais, não?)

A Coerência no Tratamento

Na carta formal, é necessário a coerência no tratamento. Se a iniciamos tratando o destinatário por tu, devemos manter esse tratamento até o fim, tomando todo o cuidado com pronome e formas verbais, que deverão ser de segunda pessoa: se, ti, contigo, tua, dize, não digas, etc. Caso comecemos a carta pelo tratamento você, devemos manter o tratamento em terceira pessoa até o fim: se, si, consigo, o, a, lhe, sua, diga, não digas, etc.
Nesse tipo de carta, são comuns os erros de uniformidade de tratamento como o que apresentamos abaixo:

Você deverá comparecer à reunião. Espero-te ansiosamente.
Não se esqueça de trazer tua agenda.

Observe que não há nenhuma uniformidade de tratamento: começa-se por você (terceira pessoa), depois passa-se para a segunda pessoa (te), volta-se à terceira (se), terminando com a segunda (tua).

Ainda com relação à uniformidade, fique atento ao emprego de pronomes de tratamento como Vossa Senhoria, Vossa Excelência, etc. Embora se refiram às pessoas com quem falamos, esses pronomes devem concordar na terceira pessoa. Veja:

Aguardo que Vossa Senhoria possa enviar-me ainda hoje os relatórios de sua autoria.
Vossa Excelência não precisa preocupar-se com seus auxiliares.

01. "Florzinha Singela, esses seus cabelos loiros enfeitiçaram vorazmente um coração sedento

e puro e sentimentos anteriores..."

O texto é um exemplo de carta:

a) familiar

b) amorosa

c) crítica

d) doutrinária

e) comercial

02. Correspondência amorosa da época do Barroco em Portugal:

a) Cartas de Mário de Andrade a Anita Mafaltti.

b) Cartas de Mariana Alcoforado a um padre português.

c) Carta de Álvares de Azevedo à sua irmã.

d) Carta de uma freira portuguesa a um oficial francês.

e) Carta de Padre Antonio Vieira a seu irmão.

03. Assinale a alternativa que contenha cartas doutrinárias de cunho político:

a) Epístolas de Machado de Assis a Eça de Queirós.

b) Epístolas de São Paulo aos Filipenses.

c) Algumas epístolas de Padre Antonio Vieira.

d) Epístolas de A lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo.

e) Epístolas antropofágicas de Oswald de Andrade.

Texto para as questões 04 e 05

(UNIDOESTE) Uma carta inédita a Drummond

Querido Carlos,

afetuoso abraço.

Leio nos jornais que você pediu demissão. Sem dúvida é uma pena para o Brasil, mas

você está correto. E outros dias virão.

Pessoalmente, não posso deixar de lhe agradecer tantas finezas que você me prestou,

sempre tão solicitamente, quando no exercício do cargo.

Confirmo meu telegrama de hoje, pedindo-lhe o favor de me representar no almoço de

sábado próximo, e de transmitir minha solidariedade à declaração de princípios do 1°

Congresso de Escritores.

Abandonei a colaboração n'A Manhã, se bem que estivesse gostando, pois me deva um

certo treino de escrever prosa, e além disso os 800 cruzeiros me eram necessários, nas

circunstâncias atuais de minha vida. Mas o governo excedeu-se, perdeu todo o controle,

divorciou-se por completo das aspirações populares, e esgotou o seu fraco conteúdo. De

qualquer forma, continuar os artigos seria uma espécie de colaboracionismo.

Como você sabe, continuo em regime de saúde, por isso não posso tomar parte

pessoalmente na campanha que se desenrola. Entretanto, estou bastante atento à mesma; por

isso - caso você julgue oportuno - poderá divulgar que eu estou solidarizado com a campanha

democrática, e absolutamente contra os métodos do governo. Se acharem interessante,

poderei escrever, mesmo sobre assunto político, pequenas crônicas e notas - desde que minha

saúde o permita.

Que coisa a morte do Mário, hein? Fiquei muito sentido, e, sabendo que vocês eram

muito amigos, é o caso de se apresentar pêsames a você.

Em que está o nosso livro? E o seu?

Então, querido Carlos, lembranças a Dolores e Maria Julieta.

O abraço amigo do

Murilo

P. S. Lembranças também ao João Cabral.

(Folha de S. Paulo, 11/05/91

1.

04. Com relação aos assuntos abordados pelo remetente, é correto afirmar que:

a) Carlos e Murilo são escritores; o primeiro escrevia para jornais e o segundo era funcionário público;

b) o destinatário tinha muitos amigos: Carlos, Maria Julieta, Dolores e Murilo;

c) o remetente lembra que a "morte do Mário" comoveu a todos, ma não mais a Carlos do que a ele;

d) o remetente está mais preocupado com a questão da demissão e com as causas que a provocaram;

e) n.d.a.

05. Com relação ao que está explícito no texto, é incorreto afirmar que:

a) o destinatário, Carlos, pediu demissão, mas tinha toda razão em fazê-lo;

b) quando o remetente lembra que "outros dias virão", mostra que estava próximo o novo emprego;

c) Carlos, durante o exercício do cargo, muito auxiliou ao remetente, atendendo suas solicitações;

d) o remetente, mesmo doente, propõe-se a escrever sobre assuntos que não lhe eram habituais para

demonstrar simpatia pela campanha democrática;

e) durante o 1° Congresso de Escritores seria redigida a declaração de princípios.

Texto para as questões 06 a 10

(UNIDOESTE) Uma carta inédita a Drummond

Querido Carlos,

afetuoso abraço.

Leio nos jornais que você pediu demissão. Sem dúvida é uma pena para o Brasil, mas

você está correto. E outros dias virão.

Pessoalmente, não posso deixar de lhe agradecer tantas finezas que você me prestou,

sempre tão solicitamente, quando no exercício do cargo.

Confirmo meu telegrama de hoje, pedindo-lhe o favor de me representar no almoço de

sábado próximo, e de transmitir minha solidariedade à declaração de princípios do 1°

Congresso de Escritores.

Abandonei a colaboração n'A Manhã, se bem que estivesse gostando, pois me deva um

certo treino de escrever prosa, e além disso os 800 cruzeiros me eram necessários, nas

circunstâncias atuais de minha vida. Mas o governo excedeu-se, perdeu todo o controle,

divorciou-se por completo das aspirações populares, e esgotou o seu fraco conteúdo. De

qualquer forma, continuar os artigos seria uma espécie de colaboracionismo.

Como você sabe, continuo em regime de saúde, por isso não posso tomar parte

pessoalmente na campanha que se desenrola. Entretanto, estou bastante atento à mesma; por

isso - caso você julgue oportuno - poderá divulgar que eu estou solidarizado com a campanha

democrática, e absolutamente contra os métodos do governo. Se acharem interessante,

poderei escrever, mesmo sobre assunto político, pequenas crônicas e notas - desde que minha

saúde o permita.

Que coisa a morte do Mário, hein? Fiquei muito sentido, e, sabendo que vocês eram

muito amigos, é o caso de se apresentar pêsames a você.

Em que está o nosso livro? E o seu?

Então, querido Carlos, lembranças a Dolores e Maria Julieta.

O abraço amigo do

Murilo

P. S. Lembranças também ao João Cabral.

(Folha de S. Paulo, 11/05/91)

06. Com relação aos elementos lingüísticos utilizados no texto, é correto afirmar que:

a) o advérbio tão, em "tão solicitamente", enfatiza a presteza e o empenho de Drummond no

atendimento ao amigo;

b) a oração intercalada "caso você julgue oportuno" tira de Murilo a responsabilidade de se envolver

mais profundamente com a campanha, porque estava doente;

c) a condicional "se acharem interessante" aponta para a insegurança de Murilo em escrever prosa, até

porque foi consagrado como poeta;

d) o termo destacado em "Lembranças também ao João Cabral" revela a necessidade de incluir João

Cabral entre as pessoas lembradas;

e) todas as alternativas estão corretas.

07. O parágrafo pode ser considerado um microtexto; dessa forma, deve conter introdução (tópico frasal),

desenvolvimento e conclusão.

Com base nesta afirmativa, releia o 4° parágrafo e identifique a alternativa correta em relação à sua

estrutura:

a) O tópico frasal inicia em "Abandonei" e se estende até "gostando".

b) O tópico frasal contém uma atitude concessiva justificada no desenvolvimento.

c) Na conclusão, fica explicitado seu desejo de não colaborar com as atitudes do governo, seja de

forma direta ou indireta.

d) Todas estão corretas.

e) n.d.a.

08. Identifique as justificativas incorretas com relação ao uso das conjunções e das locuções conjuntivas

no 4° parágrafo:

a) "se bem que" permite compreender que a atitude de abandonar o que fazia não se relaciona ao fato

de estar ou não gostando;

b) nas, em "nas circunstâncias atuais", introduz uma idéia de tempo;

c) o 2° parágrafo contém 4 orações que indicam as alternativas do leitor em relação às atitudes do

governo;

d) "pois" introduz justificativas que corroboram o gosto pelo que fazia e precisou abandonar;

e) "Mas" introduz uma idéia contrária ao "estava gostando" e precede os verdadeiros motivos pelos

quais abandonou o que fazia.

09. No 5° parágrafo, Murilo Mendes usa muitas condições e concessões para falar de sua doença e do seu

desejo de trabalhar. Com base nisto, identifique a alternativa cujo trecho contém, pelo menos, uma

condição ou concessão:

a) "Entretanto, estou bastante atento à mesma; por isso - caso você julgue oportuno - ..."

b) "Como você sabe, continuo em regime de saúde..."

c) "...continuo em regime de saúde, por isso não posso tomar parte pessoalmente na campanha que se

desenrola."

d) "...poderá divulgar que estou solidarizado com a campanha democrática, e absolutamente contra os

métodos do governo."

e) n.d.a.

10. Com relação ao texto, é correto afirmar que:

a) Trata-se de uma carta familiar, por isto percebem-se muitas informações, lembranças e

questionamentos colocados à proporção que vinham à lembrança do remetente.

b) O remetente pode se utilizar do post scriptum para acrescentar lembranças que não tenham

ocorrido em tempo.

c) Apesar da familiaridade da carta, não foram esquecidos o local, a data, o vocativo, a despedida e a

assinatura, necessários, inclusive nas cartas oficiais.

d) A intimidade entre remetente e destinatário permite a elaboração de um texto cuja profunda

compreensão obriga o leitor a recorrer a muitos elementos localizados fora do texto.

e) todas as alternativas estão corretas.