quarta-feira, 9 de julho de 2008

Literatura - Arcadismo - Basílio da Gama

Basílio da Gama

Basílio da Gama.
Basílio da Gama.

José Basílio da Gama (São João del Rei, 8 de abril de 1740Lisboa, 31 de julho de 1795) foi um poeta luso-brasileiro do Brasil Colônia, filho de pai português e mãe brasileira.

Ficou órfão e foi para o Rio de Janeiro. Entrou em 1757 para a Companhia de Jesus. Dois anos depois, a ordem foi expulsa do Brasil e o poeta foi para Portugal e depois para Roma, onde foi admitido na Arcádia Romana. De volta a Lisboa, por suspeita de jansenismo, foi condenando ao degredo em Angola; salvou-o um epitalâmio que dedicou à filha do marquês de Pombal, que o indultou e protegeu.

Em 1769, publica o poema épico O Uraguai, que tem por assunto a guerra movida por Portugal aos índios das missões do Rio Grande do Sul (Sete Povos das Missões). Mais tarde foi nomeado oficial da Secretaria do Reino. Patrono da Academia Brasileira de Letras.

Obras

Literatura - Arcadismo - Tomás Antônio Gonzaga

Biografia

Nascido em Miragaia, freguesia da cidade portuguesa do Porto, em prédio hoje devidamente assinalado. Era filho de mãe portuguesa e pai brasileiro. Órfão de mãe no primeiro ano de vida, mudou-se com o pai, magistrado brasileiro para Pernambuco em 1751 depois para a Bahia, onde estudou no Colégio dos Jesuítas. Em 1761, voltou a Portugal para cursar Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se bacharel em Leis em 1768. Com intenção de lecionar naquela universidade, escreveu a tese Tratado de Direito Natural, no qual enfocava o tema sob o ponto de vista tomista, mas depois trocou as pretensões ao magistério superior pela magistratura.Exerceu o cargo de juiz de fora na cidade de Beja, em Portugal. Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado Ouvidor dos Defuntos e Ausentes da comarca de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, então capital da capitania de Minas Gerais. Um ano depois conheceu a adolescente de apenas quinze anos Maria Dorotéia Joaquina de Seixas Brandão, a pastora Marília em uma das possíveis interpretações de seus poemas, que teria sido imortalizada em sua obra lírica (Marília de Dirceu) - apesar de ser muito discutível essa versão, tendo em vista as regras retórico-poéticas que prevaleciam no século XVIII, época em que o poema fora escrito.

Durante sua permanência em Minas Gerais, escreve Cartas Chilenas, poema satírico em forma de epístolas, uma violenta crítica ao governo colonial. Promovido a desembargador da relação da Bahia em 1786, resolve pedir em casamento Maria Dorotéia dois anos depois. O casamento é marcado para o final do mês de maio de 1789. Como era pobre e bem mais velho que ela, sofreu oposição da família da noiva.

Apesar do pequeno papel na Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira (primeira grande revolta pró-independência do Brasil), é acusado de conspiração e preso em 1789, cumprindo sua pena de três anos na Fortaleza da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, tendo seus bens confiscados. Foi, portanto, separado de sua amada, Maria Dorotéia. Sua implicância na Inconfidência Mineira parece ter sido fruto de calúnias arquitetadas por seus adversários. Permanece em reclusão por três anos, durante os quais, teria escrito a maior parte das liras atribuídas a ele, pois não há registros de assinatura em qualquer uma de suas poesias. Em 1792, sua pena é comutada em desterro e o poeta é enviado a costa oriental da África, a fim de cumprir, em Moçambique, a sentença de dez anos de degredo.

No mesmo ano é lançada em Lisboa a primeira parte de Marília de Dirceu, com 33 liras (nota-se que não houve participação, portanto, do poeta na edição desse conjunto de liras, e até hoje não se sabe quem teria feito). No país africano trabalha como advogado e hospeda-se em casa de abastado comerciante de escravos, vindo a se casar em 1793 com a filha dele, Juliana de Sousa Mascarenhas ("pessoa de muitos dotes e poucas letras"),com quem teve dois filhos: Ana Mascarenhas Gonzaga e Alexandre Mascarenhas Gonzaga, vivendo depois disso, durante quinze anos, rico e considerado, até morrer em 1810, acometido por uma grave doença. Em 1799, é publicada a segunda parte de Marília de Dirceu, com mais 65 liras. No desterro, ocupou os cargos de procurador da Coroa e Fazenda, e o de juiz de Alfândega de Moçambique (cargo que exercia quando morreu). Gonzaga foi muito admirado por poetas Romantismo/românticos como Casimiro de Abreu e Castro Alves. É patrono da cadeira de número 37 da Academia Brasileira de Letras.

Suas principais obras são: Tratado de Direito Natural; Marília de Dirceu (coleção de poesias líricas, publicadas em três partes, em 1792, 1799 e 1812 - hoje sabe-se que a terceira parte não foi escrita pelo poeta); Cartas Chilenas (impressas em conjunto em 1863).

Características literárias

Tula A poesia de Tomás Antonio Gonzaga apresenta as típicas características árcades e neoclássicas: o pastoril, o bucólico, a Natureza amena, o equilíbrio, etc. Paralelamente, possui características pré-românticas (principalmente na segunda parte de Marília de Dirceu, escrita na prisão): confissões de sentimento pessoal, ênfase emotiva estranha aos padrões do neoclassicismo, descrição de paisagens brasileiras, etc.

O convívio com o Iluminismo põe em seu estilo a preocupação em atenuar as tensões e racionalizar os conflitos.

Tomás Antonio Gonzaga escreveu versos marcados por expressão própria, pela harmonização dos elementos racionais e afetivos e por um leve toque de sensualidade. Segundo Alfredo Bosi, Gonzaga está acima de tudo preocupado em "achar a versão literária mais justa dos seus cuidados". Assim, "a figura de Marília, os amores ainda não realizados e a mágoa da separação entram apenas como 'ocasiões' no cancioneiro de Dirceu", o que diferencia o autor dos seus futuros colegas românticos.

Marília de Dirceu

As liras a sua pastora idealizada refletem a trajetória do poeta, na qual a prisão atua como um divisor de águas(a segunda parte do livro é contada dentro da prisão). Antes do encarceramento, num tom de fidelidade, canta a ventura da iniciação amorosa, a satisfação do amante, que, valorizando o momento presente, busca a simplicidade do refúgio na natureza amena, que ora é européia e ora mineira. Depois da reclusão, num tom trágico de desalento, canta o infortúnio, a injustiça (ele se considera inocente, portanto, injustiçado), o destino e a eterna consolação no amor da figura de Marília. São compostas em redondilha menor ou decassílabos quebrados. Expressam a simplicidade e gracioso lirismo íntimo, decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos sentimentos e da escolha lingüística. Ao delegar posição poética a um campesino, sob cuja pele se esconde um elemento civilizado, Gonzaga demonstra mais uma vez suas diferenças com a filosofia romântica, pois segue o descrito nas regras para a confecção de éclogas nos manuais de poética da época, que instruem aos poetas que buscam a superação dos antigos, imitando-os, a utilizações de eu-líricos que se aproximem as figuras de pastores, caçadores, hortelãos e vaqueiros.

Marília é ora morena, ora loira. O que comprova não ser a pastora, Maria Dorotéia na vida real, mas uma figura simbólica que servia à poesia de Tomás Antonio Gonzaga. É anacronismo destinar ao sentimento existente entre o poeta e Maria Dorotéia a motivação para a confecção dos poemas, tendo em vista que esse pensamento só surgiu com o pensamento Romântico, no século XIX. É mais cabível a teoria de inspiração no ideal de emulação, que configurava o sentimento poético da época, baseado nas filosofias retórico-poéticas vigentes, em que o poeta, seguinto inúmeras regras de confecção, "imitava" os poetas antigos procurando superá-los. Muitos pouco conhecedores de literatura podem acreditar que o poeta cai em contradições, ora assumindo a postura de pastor que cuida de ovelhas e vive numa choça no alto do monte, ora a do burguês Dr. Tomás Antonio Gonzaga, juiz que lê altos volumes instalados em espaçosa mesa, mas o fazem por analisar os poemas com critérios anacrônicos à época, analisam com pensamentos surgidos após o Romantismo, textos que o precedem.

É interessante atentar para alguns aspectos dessa obra de Gonzaga. Cada lira é um dialogo de Dirceu com sua pastora Marília, mas, embora a obra tenha a estrutura de um diálogo, só Dirceu fala (trata-se de um monólogo), chamando Marília em geral com vocativos. Como bem lembra o crítico Antonio Candido, o melhor título para a obra seria Dirceu de Marília, mas o patriarcalismo de Gonzaga nunca lhe permitiria pôr-se como a coisa possuída.

Academia Brasileira de Letras






Considerando-o brasileiro, rendeu-lhe o Sodalício Brasileiro a homenagem de ser Patrono da Cadeira 37 da Academia, onde veio depois a ter assento talentos como João Cabral de Melo Neto.

Representações na cultura

Tomás Antônio Gonzaga já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri na telenovela Dez Vidas (1969), Luiz Linhares no filme Os Inconfidentes (1972) e Eduardo Galvão no filme Tiradentes (1999).

Precedido por
'
ABL - cadeira 37
Patrono
Sucedido por
Silva Ramos - Fundador

Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:

"A Silva Ramos, que lembrara Gonçalves Crespo, nascido no Brasil, não o permitiram, por «português», aceitando, entretanto, Gonzaga, que nascera em Portugal..."

Literatura - Arcadismo - Cláudio Manuel da Costa

Cláudio Manuel da Costa (Vargem do Itacolomi, hoje Mariana, 5 de junho de 1729Vila Rica, 4 de julho de 1789) foi um jurista e poeta luso-brasileiro da época colonial [1].

Filho de João Gonçalves da Costa, português, e Teresa Ribeira de Alvarenga, mineira, nasceu no sítio da Vargem do Itacolomi, freguesia da vila do Ribeirão do Carmo, atual cidade de Mariana em Minas Gerais.

Tornou-se conhecido principalmente pela sua obra poética e pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Contudo, foi também advogado de prestígio, fazendeiro abastado, cidadão ilustre, pensador de mente aberta e mecenas do Aleijadinho. Estudou cânones em Coimbra e há quem acredite que ele tenha traduzido a obra de Adam Smith para o português, mas isso nunca foi muito bem fundamentado.


Vida

Com vinte anos embarcou para Portugal, com destino a Coimbra, em cuja Universidade se formou em cânones. Entre 1753 e 54 recolheu ao Brasil, dando-se à advocacia em Vila Rica (hoje Ouro Preto), jurista culto e renomado da época, ali exerceu o cargo de procurador da Coroa, desembargador, também exerceu por duas vezes o importante cargo de secretário do Governo. Por incumbência da Câmara de Ouro Preto elaborou "carta topográfica de Vila Rica e seu têrmo" em 1758.


Por sua idade, boa lição clássica, fama de douto e crédito de autor publicado, exerceu Cláudio da Costa ali uma espécie de magistério entre os seus confrades em musa, maiores e menores, que todos lhe liam as suas obras e lhe escutavam os conselhos, era uma das figuras principais da Capitania.

Aos sessenta anos foi comprometido na chamada Conjuração Mineira. Preso e, para alguns, apavorado com as conseqüências da tremenda acusação de réu de inconfidência, morreu em circunstâncias obscuras, em Vila Rica, no dia 4 de julho de 1789, quando teria se suicidado na prisão.

Os registros da trajetória da vida de Cláudio revelam uma bem sucedida carreira no campo político, literário e profissional. Foi secretário de vários governadores, poeta admirado até em Portugal e advogado dos principais negociantes da capitania no seu tempo. Acumulou ampla fortuna e sua casa em Vila Rica, era uma das melhores vivendas da capital. Sólida e suntuosa construção que ainda lá está a desafiar o tempo.

A memória de Cláudio Manuel da Costa, porém, não teve a mesma sorte. Até hoje paira sobre ele a suspeita de ter sido um miserável covarde que traiu os amigos e se suicidou na prisão. Outros negam até a própria relevância da sua participação na inconfidência mineira, pintando-o como um simples expectador privilegiado, amigo de Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto, freqüentadores assíduos dos saraus que ele promovia.

Cláudio tentou, ele próprio, diminuir a relevância da sua participação na conspiração, mas estava apenas tentando reduzir o peso da sua culpa diante dos juizes da devassa. Os clássicos da historiografia da inconfidência mineira são unânimes em valorizar sua participação no movimento. Parece que ele era meio descrente com as chances militares da conspiração. Mas não deixou de influenciar no lado mais intelectualizado do movimento, especialmente no que diz respeito à construção do edifico jurídico projetado para a república que pretendiam implantar em Minas Gerais, no final do século XVIII.

De qualquer modo José Pedro Machado Coelho Torres, juiz nomeado para a Devassa de 1789 em Minas Gerais, dele diz o seguinte: "O dr. Cláudio Manoel da Costa era o sujeito em casa de quem se tratou de algumas cousas repeitantes à sublevação, uma das quais foi a respeito da bandeira e algumas determinações do modo de se reger a República: o sócio vigário da vila de S. José é quem declara nas perguntas formalmente"...(Anais da Biblioteca Nacional, 1º vol. pg. 384).

Morte

Assassinato ou suicídio

O ponto mais crítico da biografia do poeta inconfidente vem a ser a suspeita do seu suicídio. Sua morte está cercada de detalhes estranhos. Há mais de duzentos anos que o assunto suscita debates e há argumentos de peso tanto a favor como contra a tese do suicídio. Os partidários da crença de que Cláudio Manuel da Costa tenha se suicidado se baseiam no fato de que ele estava profundamente deprimido na véspera da sua morte.

Isso está estampado no seu próprio depoimento, registrado na Devassa. Além disso, seu padre confessor teria confirmando seu estado depressivo a um frade que trouxe o registro à luz. Os partidários da tese de que Cláudio tenha sido assassinado, contestam tanto a autenticidade do depoimento apensado aos autos da Devassa, quanto a honestidade do registro do frade.

Quem acredita na tese do assassinato se baseia em um argumento principal: o próprio laudo pericial que concluiu pelo suicídio. Pelo laudo, o indigitado poeta teria se enforcado usando os cadarços do calção, amarrados numa prateleira, contra a qual ele teria apertado o laço, forçando com um braço e um joelho. Muitos acreditam ser impossível alguém conseguir se enforcar em tais circunstâncias.

O historiador Ivo Porto de Menezes relata que ao organizar antigos documentos relativos à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, em 1957 ou 1958, encontrou no livro de assentos dos integrantes da Irmandade de São Miguel e Almas, a anotação da admissão de Cláudio Manuel e à margem a observação de que havia "sufragado com 30 missas" a alma do falecido, e "pago tudo pela fazenda real". De igual forma procedera a Irmandade de Santo Antônio, que lançou em seu livro: "falecido em julho de 1789. E feitos os sufrágios." Relembra que havia à época proibição de missas pelos suicidas.

Também Jarbas Sertório de Carvalho, em ensaio publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, defende com boa documentação a tese do assassinato.

Há ainda quem acredite que o próprio governador, Visconde de Barbacena, esteve envolvido na conspiração e Cláudio teria sido eliminado por estar disposto a revelar isso. Mas o fato é que somente a tese do suicídio pôde se lastrear em documentos, ainda que duvidosos quanto a sua honestidade e veracidade, como bem salientam os adeptos da tese de assassinato.

Conclusão

Assim, a própria História continua pendente quanto às verdadeiras circunstâncias da morte de Cláudio Manuel da Costa e isso continua a ser o ponto mais marcante da sua biografia, não obstante estar sua vida plena de passagens notáveis.

Dez dias depois da sua morte, a população de Paris tomava a fortaleza da Bastilha, marcando o início do fim da dinastia dos gloriosos Luíses de França. Começava a tomar corpo então, um projeto político, sonhado pelo próprio Cláudio Manuel da Costa para seu país. Demoraria, no entanto, mais trinta anos para que o Brasil se tornasse liberto de Portugal. Cem anos a mais seriam necessários para a realização da segunda parte do sonho, a implantação do regime republicano no Brasil.

É Patrono da Academia Brasileira de Letras. Glauceste Saturnino (ou Glauceste Satúrnio), pseudônimo do autor, faz parte da transição do Barroco para o Arcadismo. Seus sonetos herdaram a tradição de Camões.

Representações na cultura

Cláudio Manuel da Costa já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Emiliano Queiroz no filme "Tiradentes" (1999), Fernando Torres no filme "Os Inconfidentes" (1972) e na novela "Dez Vidas" (1969) e Carlos Vereza no filme "Aleijadinho - Paixão, Glória e Suplício" (2003).

Obras:

  • Epicediu, consagrado à memória de fr. Gaspar da Encarnação - Coimbra, 1753.
  • Labirinto de amor, poema - Coimbra, 1753.
  • Númerosos harmônicos - Coimbra, 1753.
  • Obras Poéticas - Coimbra, 1768
  • Vila Rica, 1773
  • Soneto
  • Entre o Velho e o Novo Mundo
  • Poesias diversas - Revista Brazileira, Rio de Janeiro, 1895 (post.).
  • Minusculo métrico, romance heróico - Coimbra 1751.

Nota

  1. No Brasil como em Portugal era comum atribuir o gentílico "brasileiro" a uma pessoa nascida na colônia, embora hoje isto possa ser visto como um anacronismo. Durante a época colonial o Brasil era um território português, por esse motivo, os ali nascidos eram súditos e vassalos do rei de Portugal. Somente durante a primeira centúria da época colonial (XVI) o vocábulo “brasileiro” era o nome que se dava aos comerciantes de pau-brasil, sendo por isso, naquela época apenas, o nome de uma profissão. No entanto, desde muito antes da independência do Brasil, em 1822, em virtude do sentimento nativista disseminado o termo “brasileiro” já era utilizado de modo generalizado como adjetivo pátrio dos naturais do Brasil. Do ponto de vista estritamente legal apenas, só é de nacionalidade brasileira (brasileiro) quem ali nasceu depois da independência do Brasil. Mas, em geral, chamar uma pessoa que nasceu no Brasil antes da independência de brasileiro não quer significar que ela era comerciante de pau-brasil e sim que era natural do "Estado do Brasil".

Português - Formação das Palavras

Estrutura das Palavras

As palavras são constituídas de morfemas.
São eles:

Radical
Afixos
Infixos
Vogal Temática
Tema
Desinências

Radical

É o elemento comum de palavras cognatas também chamadas de palavras da mesma família. É responsável pelo significado básico da palavra.

Ex.: terra, terreno, terreiro, terrinha, enterrar, terrestre...

Atenção:

Às vezes, ele sofre pequenas alterações. Ex.: dormir, durmo; querer, quis

As palavras que possuem mais de um radical são chamadas de compostas.
Ex.: passatempo

Afixos

São partículas que se anexam ao radical para formar outras palavras. Existem dois tipos de afixos:
Prefixos: colocados antes do radical. Ex.: desleal, ilegal
Sufixos: colocados depois do radical. Ex.: folhagem, legalmente

Infixos

São vogais ou consoantes de ligação que entram na formação das palavras para facilitar a pronúncia. Existem em algumas palavras por necessidade fonética.Os infixos não são significativos, não sendo considerados morfemas.
Ex.: café-cafeteira, capim-capinzal, gás-gasômetro


Vogal Temática

Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos. Fica entre dois morfemas. Existe vogal temática em verbos e nomes. Ex.: beber, rosa, sala


Nos verbos, a VT indica a conjugação a que pertencem ( 1ª , 2ª ou 3ª ).

Ex.: partir- verbo de 3ª conjugação

Há formas verbais e nomes sem VT. Ex.: rapaz, mato(verbo)

Dicas

A VT não marca nenhuma flexão, portanto é diferente de desinência.

Tema

Tema = radical + vogal temática
Ex.: cantar = cant + a, mala = mal + a, rosa = ros + a

Desinências

São morfemas colocados no final das palavras para indicar flexões verbais ou nominais.
Podem ser:

Nominais: indicam gênero e número de nomes ( substantivos, adjetivos, pronomes, numerais ). Ex.: casa - casas, gato - gata

Verbais: indicam número, pessoa, tempo e modo dos verbos. Existem dois tipos de desinências verbais: desinências modo-temporal (DMT) e desinências número-pessoal (DNP). Ex.: Nós corremos, se eles corressem (DNP); se nós corrêssemos, tu correras (DMT)

Atenção
A divisão verbal em morfemas será melhor explicada em: classes de palavras/ verbos.
Algumas formas verbais não têm desinências como: trouxe, bebe...

  • Verbo-nominais: indicam as formas nominais dos verbos (infinitivo, gerúndio e particípio). Ex.:beber, correndo, partido

Quadro das principais desinências

DESINÊNCIAS
NOMINAIS Gênero masculino (-o)
feminino (-a)
Número singular (não há)
plural (-s)
VERBAIS de tempo e modo -va,-ve: imperfeito do indicativo, 1ª conjugação

-ia, -ie: imperfeito do indicativo, 2ª e 3ª conjugações

-ra, -re: mais-que-perfeito do indicativo (átono)

-sse: imperfeito do subjuntivo

-ra, -re: futuro do presente do indicativo (tônico)

-ria, -rie: futuro do pretérito do indicativo

-r: futuro do subjuntivo

-e: presente do subjuntivo, 1º conjugação

-a: presente do subjuntivo, 2º e 3º conjugações

de pessoa e número -o: 1ª pessoa do singular, presente do indicativo

-s: 2ª pessoa do singular

-mos: 1ª pessoa do plural

-is-, -des: 2ª pessoa do plural

-m: 3ª pessoa do plural

VERBO-NOMINAIS -r: infinitivo
-ndo: gerúndio
-do: particípio regular


Processos de Formação de Palavras


Maneira como os morfemas se organizam para formar as palavras.

Neologismo
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, a verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1970)


Os principais processos de formação são:

Derivação
Composição
Hibridismo
Onomatopéia
Sigla
Abreviação


Derivação
Processo de formar palavras no qual a nova palavra é derivada de outra chamada de primitiva. Os processos de derivação são:

Derivação Prefixal

A derivação prefixal é um processo de formar palavras no qual um prefixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.
Ex.: re/com/por ( dois prefixos), desfazer, impaciente.

Derivação Sufixal

A derivação sufixal é um processo de formar palavras no qual um sufixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.
Ex.: realmente, folhagem.

Derivação Prefixal e Sufixal

A derivação prefixal e sufixal existe quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma independente, ou seja, sem a presença de um dos afixos a palavra continua tendo significado.
Ex.: deslealmente ( des- prefixo e -mente sufixo ). Você pode observar que os dois afixos são independentes: existem as palavras desleal e lealmente.

Derivação Parassintética

A derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma dependente, ou seja, os dois afixos não podem se separar, devem ser usados ao mesmo tempo, pois sem um deles a palavra não se reveste de nenhum significado.
Ex.: anoitecer ( a- prefixo e -ecer sufixo), neste caso, não existem as palavras anoite e noitecer, pois os afixos não podem se separar.

Derivação Regressiva

A derivação regressiva existe quando morfemas da palavra primitiva desaparecem.
Ex.: mengo (flamengo), dança (dançar), portuga (português).


Derivação Imprópria

A derivação imprópria, mudança de classe ou conversão ocorre quando palavra comumente usada como pertencente a uma classe é usada como fazendo parte de outra.
Ex.: coelho (substantivo comum) usado como substantivo próprio em Daniel Coelho da Silva; verde geralmente como adjetivo (Comprei uma camisa verde.) usado como substantivo (O verde do parque comoveu a todos.)


Composição
Processo de formação de palavras através do qual novas palavras são formadas pela junção de duas ou mais palavras já existentes.
Existem duas formas de composição:

Justaposição
Aglutinação

A justaposição ocorre quando duas ou mais palavras se unem sem que ocorra alteração de suas formas ou acentuação primitivas.
Ex.: guarda-chuva, segunda-feira, passatempo.

A composição por aglutinação ocorre quando duas ou mais palavras se unem para formar uma nova palavra ocorrendo alteração na forma ou na acentuação.
Ex.: fidalgo (filho + de +algo), aguardente (água + ardente)


Hibridismo
Consiste na formação de palavras pela junção de radicais de línguas diferentes.

Ex.: auto/móvel (grego + latim); bio/dança (grego + português)


Prefixos gregos e latinos
Radicais gregos e latinos
Sufixos

Radicais Gregos e Latinos

Prefixos Latinos Sentido Exemplos
AB-, ABS- Afastamento; separação abuso, abster-se, abdicar
AD-, A- Aproximação; tendência; direção adjacente, adjunto, admirar, agregar
AMBI- Duplicidade Ambivalência, ambidestro
ANTE- posição anterior Antebraço, anteontem, antepor
BENE-, BEN-, BEM- Bem; muito bom Benevolência, benfeitor, bem-vindo, bem-estar
BIS-, BI duas vezes bisavô, biconvexo, bienal, bípede, biscoito
CIRCUM-, CIRCUN- ao redor; movimento em torno Circunferência, circum-adjacente
CONTRA- Oposição; ação contrária contra-ataque, contradizer
COM-, CON-, CO- Companhia; combinação Compartilhar, consoante, contemporâneo, co-autor
DE-, DES-, DIS- movimento para baixo; afastamento; ação contrária; negação decair, desacordo, desfazer, discordar, dissociar, decrescer
EX-, ES-, E- movimento para fora; mudança de estado; separação exonerar, exportar, exumar, espreguiçar, emigrar, emitir, escorrer, estender
EXTRA- posição exterior; superioridade extra-oficial, extraordinário, extraviar
IN-, IM-, I-, EN-, EM-, INTRA-, INTRO- posição interna; passagem para um estado; movimento para dentro; tendência; direção para um ponto incisão, inalar, injetar, impor, imigrar, enlatar, enterrar, embalsamar, intravenoso, intrometer, intramuscular
IN-, IM-, I- negação; falta intocável, impermeável, ilegal
INTER-, ENTRE- posição intermediária; reciprocidade Intercâmbio, internacional, entrelaçar, entreabrir
JUSTA- Proximidade Justapor, justalinear
POS- posição posterior; ulterioridade pós-escrito, pospor, postônico
PRE- anterioridade; superioridade; intensidade prefixo, previsão, pré-história, prefácio
PRO- posição em frente; movimento para frente; em favor de Proclamar, progresso, pronome, prosseguir
RE- repetição; intensidade; reciprocidade realçar, rebolar, refrescar, reverter, refluir
RETRO- para trás Retroativo, retroceder, retrospectivo
SEMI- Metade semicírculo, semiconsoante, semi-analfabeto
SUB-, SOB-, SO- posição abaixo de; inferioridade; insuficiência subconjunto, subcutâneo, subsolo, sobpor, soterrar
SUPER-, SOBRE-, SUPRA posição superior; excesso Superpopulação, sobreloja, supra-sumo, sobrecarga, superfície
TRANS-, TRAS-, TRA-, TRES- através de; posição além de; mudança Transbordar, transcrever, tradição, traduzir, traspassar, tresloucado, tresmalhar
ULTRA- além de; excesso Ultrapassar, ultra-sensível
VICE-, VIS- posição abaixo de; substituição vice-reitor, visconde, vice-cônsul

Radicais Latinos
1º elemento da composição

Forma Sentido Exemplo
Agri Campo Agricultura
Ambi Ambos Ambidestro
Arbori- Árvore Arborícola
Bis-, bi- Duas vezes Bípede, bisavô
Calori- Calor Calorífero
Cruci- cruz Crucifixo
Curvi- curvo Curvilíneo
Equi- igual Equilátero, eqüidistante
Ferri-, ferro- ferro Ferrífero, ferrovia
Loco- lugar Locomotiva
Morti- morte Mortífero
Multi- muito Multiforme
Olei-, oleo- Azeite, óleo Oleígeno, oleoduto
Oni- todo Onipotente
Pedi- Pedilúvio
Pisci- peixe Piscicultor
Pluri- Muitos, vários Pluriforme
Quadri-, quadru- quatro Quadrúpede
Reti- reto Retilíneo
Semi- metade Semimorto
Tri- Três Tricolor

Radicais Latinos
2º Elemento da Composição

Forma Sentido Exemplos
-cida Que mata Suicida, homicida
-cola Que cultiva, ou habita Arborícola, vinícola, silvícola
-cultura Ato de cultivar Piscicultura, apicultura
-fero Que contém, ou produz Aurífero, carbonífero
-fico Que faz, ou produz Benefício, frigorífico
-forme Que tem forma de Uniforme, cuneiforme
-fugo Que foge, ou faz fugir Centrífugo, febrífugo
-gero Que contém, ou produz Belígero, armígero
-paro Que produz Ovíparo, multíparo
-pede Velocípede, palmípede
-sono Que soa Uníssono, horríssono
-vomo Que expele Ignívomo, fumívomo
-voro Que come Carnívoro, herbívoro

Radicais Gregos
1º Elemento da Composição


Forma Sentido Exemplos
Aero- ar Aeronave
Antropo- homem Antropologia
Arqueo- antigo Arqueologia
Auto de si mesmo Autobiografia
Biblio- livro Biblioteca
Bio- vida Biologia
Cali- belo Caligrafia
Cosmo- mundo Cosmologia
Cromo- cor Cromossomo
Crono- tempo Cronologia
Dactilo- dedo Dactilografia
Deca- dez Decaedro
Demo- povo Democracia
di- dois Dissílabo
Ele( c )tro- (âmbar) eletricidade Eletroímã
Enea- nove Eneágono
Etno- raça Etnologia
Farmaco- medicamento Farmacologia
Filo- amigo Filologia
Fisio- natureza Fisionomia
Fono- voz, som Fonologia
Foto- fogo, luz Fotosfera
Geo- terra Geografia
Hemo- sangue Hemorragia
Hepta- sete Heptágono
Hetero- outro Heterogêneo
Hexa- seis Hexágono
Hidro- água Hidrogênio
Hipo- cavalo Hipopótamo
Ictio- peixe Ictiologia
Iso igual Isósceles
Lito- pedra Litografia
Macro- grande, longo Macróbio
Mega- grande Megalomaníaco
Melo- canto Melodia
Meso- meio Mesóclise
Micro- pequeno Micróbio
Mito- fábula Mitologia
Mono- um só Monarca
Necro- morto Necrotério
Neo- novo Neolatino
Octo- oito Octaedro
Odonto- dente Odontologia
Oftalmo- olho Oftalmologia
Onomato- nome Onomatopéia
Orto- reto, justo Ortodoxo
Oxi- agudo, penetrante Oxítono
Paleo- antigo Paleontologia
Pan- todos, tudo Pan-americano
Pato- doença Patologia
Penta- cinco Pentágono
Piro- fogo Pirotecnia
Poli- muito Poliglota
Potamo- rio Potamografia
Proto- primeiro Protozoário
Pseudo-

falso

Pseudônimo
Psico- alma, espírito Psicologia
Quilo- mil Quilograma
Quiro- mão Quiromancia
Rino- nariz Rinoceronte
Rizo- raiz Rizotônico
Tecno- arte Tecnografia
Termo- quente Termômetro
Tetra- quatro Tetraedro
Tipo- figura, marca Tipografia
Topo- lugar Topografia
Tri- três Trissílabo
Zoo- animal Zoologia

Radicais Gregos
2º Elemento da Composição

Forma Sentido Exemplos
-agogo Que conduz Pedagogo
-algia Dor Nevralgia
-arca Que comanda Monarca
-arquia Comando, governo Monarquia
-céfalo Cabeça Microcéfalo
-cracia Poder Democracia
-doxo Que opina Ortodoxo
-dromo Lugar para correr Hipódromo
-edro Base, fase Poliedro
-fagia Ato de comer Antropofagia
-fago Que come Antropófago
-filia Amizade Bibliofilia
-fobia Inimizade, ódio, temor Fotofobia
-fobo Que odeia, inimigo Xenófobo
-foro Que leva ou conduz Fósforo
-gamia Casamento Poligamia
-gamo Casa Bígamo
-gêneo Que gera Heterogêneo
-glota; -glossa Língua Poliglota, isoglossa
-gono Ângulo Pentágono
-grafia Escrita, descrição Ortografia
-grafo Que escreve Calígrafo
-grama Escrito, peso Telegrama, quilograma
-logia Discurso Arqueologia
-logo Que fala ou trata Diálogo
-mancia Adivinhação Quiromancia
-metria Medida Biometria
-metro Que mede Pentâmetro
-morfo Que tem a forma Polimorfo
-nomia Lei, regra Astronomia
-nomo Que regula Autônomo
-péia Ato de fazer Onomatopéia
-pólis; -pole Cidade Petrópolis, metrópole
-ptero Asa Helicóptero
-scopia Ato de ver Macroscopia
-scópio Instrumento para ver Microscópio
-sofia Sabedoria Logosofia
-teca Lugar onde se guarda Biblioteca
-terapia Cura Fisioterapia
-tomia Corte, divisão Dicotomia
-tono Tensão, tom Monótono

Principais Sufixos

Tipos de sufixos

Principais sufixos

Exemplos

Nominais

formam substantivos e adjetivos

aumentativo: -alhão, -ão, -anzil, -arra, -orra, -ázio... copázio, bocarra, corpanzil, casarão
diminutivo: -acho, -eto, -inho, -inha, -ote... riacho, filhote, livrinho
superlativo: -íssimo, érrimo, -limo... belíssimo, paupérrimo, facílimo
lugar: -aria, -ato, -douro, -ia... papelaria, internato, bebedouro
profissão: -ão, -dor, -ista... diarista, dentista, vendedor
origem: -ano, -eiro, ês... francês, alagoano, mineiro
coleção, aglomeração, conjunto: -al, -eira, -ada, -agem... folhagem, cabeleira, capinzal
excesso, abundância:
-oso, -ento, -udo...
gostoso, ciumento, barbudo
Verbais -ear, ejar, -ecer, -escer,
-entar, -fazer, -ficar, -icar, -iscar, -ilhar, -inhar, -itar,-izar...
folhear, velejar, envelhecer, florescer, afugentar, liquefazer, petrificar, adocicar, chuviscar, dedilhar, escrevinhar, saltitar, organizar
Adverbiais somente o sufixo -mente amavelmente, distraidamente

Onomatopéia
Consiste na formação de palavras pela imitação de sons e ruídos.

Ex.: triiim, chuá, bué, pingue-pongue, miau, tique-taque, zunzum


Sigla
Consiste na redução de nomes ou expressões empregando a primeira letra ou sílaba de cada palavra.

Ex.: UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais,
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Abreviação ou redução


Consiste na redução de parte de palavras com objetivo de simplificação.

Ex.: moto (motocicleta), gel (gelatina), cine (cinema).